O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro tem sido tratado pela esquerda como um presente político. Mas eu desconfio que o ponto mais importante não seja exatamente a denúncia em si, e sim o desgaste crescente de um grupo que passou anos monopolizando a direita brasileira.
Existe uma ilusão recorrente no debate público: a de que corrupção derruba automaticamente um político. Não derruba.
O eleitor ideológico costuma relativizar acusações contra os seus e condenar apenas o adversário. A moral virou um território seletivo. Isso vale para lulistas e bolsonaristas.
O problema é que o bolsonarismo parece cada vez mais preso a crises sucessivas e a uma lógica política improvisada. Talvez figuras como Zema e Caiado percebam que chegou a hora de tentar construir uma direita menos dependente do sobrenome Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, a esquerda continua refém de Lula. O Brasil inteiro parece incapaz de produzir renovação política consistente. Ficamos girando entre lideranças desgastadas, escândalos previsíveis e narrativas morais convenientes.
No fim, talvez o mais preocupante seja justamente isso: a corrupção deixou de causar espanto. Ela virou apenas mais um elemento da disputa tribal da política contemporânea.
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