Há um equívoco em tratar a candidatura de Renan Santos e o partido Missão como uma extravagância política. Talvez não sejam.
Renan provavelmente não vencerá em 2026. Mas nem toda candidatura nasce para ganhar a próxima eleição. Algumas são construídas para ocupar espaço e preparar o terreno para o futuro. E, nesse sentido, a juventude de seus líderes é um fator importante.
O que o MBL (Movimento Brasil Livre) trouxe, desde sua origem, foi uma mudança de postura na direita brasileira. Durante muito tempo, a direita pareceu condenada a viver na defensiva, pedindo licença para existir e desculpas pelo próprio passado. A nova geração não se vê dessa forma.
Ela se apresenta como uma direita de ataque. Quer disputar universidades, redes sociais e a imaginação dos jovens. Quer deixar de ser reação para se tornar projeto de poder.
Pode dar errado. A política é generosa com fracassos. Mas já passou da hora de olhar para a Missão apenas como um fenômeno exótico. O movimento talvez seja um dos sinais mais importantes de uma mudança geracional na direita brasileira.
E mudanças geracionais, quando amadurecem, costumam surpreender muita gente.
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