A vitória no segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia de Abelardo de la Espriella, advogado sem experiência política anterior, confirma características do eleitorado local, mas ao mesmo tempo copia o que tem acontecido de modo geral no mundo. E a palavra que melhor sintetiza esses acontecimentos, ainda que bastante desgastada, ainda é polarização.
Seja na Europa, na Ásia ou na América do Sul, não é novidade dizer que os contingentes eleitorais são divididos em dois grandes blocos, o de situação e o de oposição, independentemente de qual seja o perfil ideológico de quem esteja no comando.
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As razões da polarização variam de acordo com a realidade de cada país, mas também podem ser colocadas em blocos maiores: na economia, por exemplo, alto custo de vida e poucas vagas no mercado de trabalho são temas obrigatórios de protesto contra praticamente qualquer governo, seja de esquerda ou de direita, rico ou pobre. Já na área da segurança pública há mais sutilezas: o narcotráfico é um importante gerador de tensão geopolítica, mas geralmente não chega às conversas cotidianas do eleitor, mais preocupado com a segurança do dia-a-dia, nas calçadas ou a bordo de seu automóvel.
Em algumas nações específicas – geralmente nas mais ricas – a questão da imigração tem grande poder de definir o voto entre progressistas e conservadores. Mais que isso, o lado anti-imigração tende a vincular essa questão ao tema da segurança pública, simplificando uma discussão mais profunda e potencializando a rejeição ao outro.
Vale considerar também o poder das pautas chamadas “de costumes” na configuração de um perfil de eleitor que se identifica claramente com um ou outro lado do espectro político dependendo de sua posição, por exemplo, sobre o aborto.
Em termos numéricos, hoje a América do Sul está hoje majoritariamente à direita. Sete de seus países têm líderes ligados a partidos e eleitores com esse perfil: Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai e, com os últimos resultados, Colômbia e muito provavelmente o Peru.
No outro lado do espectro político estão Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e, pelo menos formalmente, a Venezuela, que perdeu Nicolás Maduro, preso desde janeiro nos Estados Unidos, mas segue com a situação inalterada em termos práticos.
A última eleição presidencial prevista para a América do Sul em 2026 é a do Brasil, em outubro. Aqui, por enquanto, a Copa do Mundo, as festas juninas e o recesso parlamentar deixam o clima morno, mas as pesquisas eleitorais divulgadas até agora não permitem dúvidas: assim como em quase todo o planeta, a chance de espaço para uma terceira via é mínima.
Do mesmo modo que na Colômbia, o Brasil tende a ter, até o fim, uma disputa entre duas visões de mundo, com baixas chances de furar as respectivas bolhas.