Felipe Bueno
Felipe Bueno Mais sobre o autor

Apresentador do TMC 360, Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem especializações em Relações Internacionais, Ética na Administração Pública, História da Arte e Marketing Digital.

Últimas colunas Últimas colunas de Felipe Bueno

Vitória da direita na Colômbia repete polarização global e manda recado ao Brasil

Eleição de advogado sem experiência política consolida domínio conservador na América do Sul e sinaliza cenário sem espaço para terceira via no pleito de outubro

Por | Atualizado em
Abelardo De La Espriella, eleito presidente da Colômbia
(Foto: Jair Coll/Reuters)

A vitória no segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia de Abelardo de la Espriella, advogado sem experiência política anterior, confirma características do eleitorado local, mas ao mesmo tempo copia o que tem acontecido de modo geral no mundo. E a palavra que melhor sintetiza esses acontecimentos, ainda que bastante desgastada, ainda é polarização.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

Seja na Europa, na Ásia ou na América do Sul, não é novidade dizer que os contingentes eleitorais são divididos em dois grandes blocos, o de situação e o de oposição, independentemente de qual seja o perfil ideológico de quem esteja no comando.

Leia mais:

As razões da polarização variam de acordo com a realidade de cada país, mas também podem ser colocadas em blocos maiores: na economia, por exemplo, alto custo de vida e poucas vagas no mercado de trabalho são temas obrigatórios de protesto contra praticamente qualquer governo, seja de esquerda ou de direita, rico ou pobre. Já na área da segurança pública há mais sutilezas: o narcotráfico é um importante gerador de tensão geopolítica, mas geralmente não chega às conversas cotidianas do eleitor, mais preocupado com a segurança do dia-a-dia, nas calçadas ou a bordo de seu automóvel.

Em algumas nações específicas – geralmente nas mais ricas – a questão da imigração tem grande poder de definir o voto entre progressistas e conservadores. Mais que isso, o lado anti-imigração tende a vincular essa questão ao tema da segurança pública, simplificando uma discussão mais profunda e potencializando a rejeição ao outro.

Vale considerar também o poder das pautas chamadas “de costumes” na configuração de um perfil de eleitor que se identifica claramente com um ou outro lado do espectro político dependendo de sua posição, por exemplo, sobre o aborto.

Em termos numéricos, hoje a América do Sul está hoje majoritariamente à direita. Sete de seus países têm líderes ligados a partidos e eleitores com esse perfil: Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai e, com os últimos resultados, Colômbia e muito provavelmente o Peru.

No outro lado do espectro político estão Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e, pelo menos formalmente, a Venezuela, que perdeu Nicolás Maduro, preso desde janeiro nos Estados Unidos, mas segue com a situação inalterada em termos práticos.

A última eleição presidencial prevista para a América do Sul em 2026 é a do Brasil, em outubro. Aqui, por enquanto, a Copa do Mundo, as festas juninas e o recesso parlamentar deixam o clima morno, mas as pesquisas eleitorais divulgadas até agora não permitem dúvidas: assim como em quase todo o planeta, a chance de espaço para uma terceira via é mínima.

Do mesmo modo que na Colômbia, o Brasil tende a ter, até o fim, uma disputa entre duas visões de mundo, com baixas chances de furar as respectivas bolhas.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05