Advogado deixa defesa de ex-presidente do BRB em meio a delação

Subprocurador aposentado divergiu do procedimento de colaboração premiada conduzido por Paulo Henrique Costa, investigado por fraudes no Banco Master

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Paulo Henrique Costa
(Foto: Rafael Lavenère/BRB)

O advogado Eugênio Aragão, subprocurador-geral da República aposentado, deixou a defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa nesta terça-feira (19/05). A saída ocorreu durante as tratativas de delação premiada conduzidas pelo investigado.

Segundo comunicado divulgado à imprensa, Aragão divergiu do procedimento de colaboração premiada e da condução do caso. O advogado informou que só participa de iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade.

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Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril por envolvimento em fraudes do Banco Master. As investigações apuram a tentativa de compra do Master pelo BRB e a aquisição de carteiras do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o Ministério Público, Costa teve papel central na viabilização dessas aquisições. O ex-presidente do BRB teria recebido propina para facilitar as operações.

Imóveis ocultados

As investigações indicam que Costa ocultou seis imóveis recebidos como propina. Quatro propriedades ficam em São Paulo e duas em Brasília. Os valores envolvidos nas operações somam R$ 146,5 milhões e R$ 74,6 milhões.

Na prática, isso significa que o ex-presidente do BRB teria usado sua posição para facilitar negócios bancários em troca de bens imóveis, ocultando o patrimônio das autoridades.

Transferência prisional

No último dia 8, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a transferência de Costa para o 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

A mudança de unidade prisional é vista como indício de andamento das negociações de colaboração premiada. Em geral, transferências desse tipo ocorrem quando há avanço nas tratativas entre investigados e autoridades.

Posição da defesa

Em nota, Aragão afirmou que eventual colaboração premiada só seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas.

O advogado Davi Tangerino permanece na defesa de Paulo Henrique Costa. Com 30 anos de atuação no Ministério Público Federal, Aragão é conhecido por atuar em casos de grande repercussão.

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