Compliance Zero: entenda os principais pontos da operação que tem Ciro Nogueira como alvo

Investigação da PF aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro bancava mesada de R$ 300 mil, além de hotéis, restaurantes e voos privados para o senador

Por Raphael Thebas | Atualizado em
Ciro Nogueira fala ao microfone no plenário do Senado
(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (07/05) a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Um dos alvos da ação é o senador Ciro Nogueira, presidente do PP.

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Entenda o ponto a ponto da decisão:

Emenda escrita pelo banco e apresentada no Senado

    A investigação da Polícia Federal aponta que uma emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira ao Congresso teria sido elaborada previamente por integrantes do Banco Master e reproduzida “de forma integral” no Senado. Segundo a decisão, mensagens obtidas pela PF indicam que o texto foi entregue em envelope na residência do parlamentar e comemorado pelo banqueiro Daniel Bueno Vorcaro com a frase: “saiu exatamente como mandei”.

    Envelopes e tentativas de ocultar a ligação com o banco

      Mensagens interceptadas pela investigação mostram que aliados de Daniel Vorcaro adotavam cuidados para evitar que documentos ligados ao Banco Master fossem associados diretamente ao senador Ciro Nogueira. Em um dos diálogos citados pelo STF, há orientação para que o motorista não relacionasse o transporte dos papéis ao parlamentar e para que os envelopes não tivessem qualquer referência ao banco.

      Venda de participação avaliada em R$ 13 milhões por R$ 1 milhão

        A Polícia Federal afirma ter identificado uma operação societária considerada atípica envolvendo empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, uma participação avaliada em cerca de R$ 13 milhões teria sido vendida por apenas R$ 1 milhão, em negócio que o STF descreve como incompatível com uma relação comum de amizade ou parceria política. (to subindo nota no site sobre essa)

        Pagamentos mensais de até R$ 500 mil

          Conversas obtidas pela PF indicam a existência de pagamentos mensais ligados a uma suposta “parceria BRGD/CNLF”, que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Nas mensagens reproduzidas na decisão, investigados discutem a continuidade dos repasses e tratam os pagamentos como algo “muito importante” dentro da estrutura investigada.

          Viagens de luxo, restaurantes e cartão para despesas

            A decisão do STF aponta que despesas pessoais atribuídas ao senador Ciro Nogueira e à sua acompanhante teriam sido custeadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo viagens internacionais, hospedagens de luxo e restaurantes. Em uma das mensagens destacadas pela investigação, um interlocutor pergunta se deveria continuar pagando as contas do casal até sábado, recebendo como resposta a autorização para usar o cartão do empresário em St. Barths, destino turístico de alto padrão no Caribe, também famoso por ser considerado um paraíso fiscal.

            Saída minutos antes da chegada da PF

              A PF afirma que o empresário Felipe Cançado Vorcaro deixou uma residência em Trancoso, na Bahia, poucos minutos antes do cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Segundo os investigadores, o quarto foi encontrado com ar-condicionado ligado, cama desarrumada e objetos pessoais deixados para trás, mas sem celulares ou computadores.

              Câmeras registraram movimentação antes da operação

                Imagens de circuito interno analisadas pela Polícia Federal mostram a movimentação de Felipe Vorcaro momentos antes da chegada dos agentes. Segundo a investigação, ele teria consultado repetidamente o celular, conversado com outro homem e deixado o imóvel em um carrinho de golfe cerca de 20 minutos antes da equipe policial entrar na residência.

                “Contrato de gaveta” para evitar fiscalização

                  A investigação afirma que os envolvidos teriam usado um “contrato de gaveta” para formalizar uma operação societária sem acionar mecanismos oficiais de fiscalização. Segundo a PF, a estratégia buscava contornar restrições previstas em acordo de acionistas e evitar que a transação chamasse atenção de órgãos reguladores.

                  Leia mais: PF: Vorcaro pagava mesada de R$ 300 mil, hotéis, restaurantes e voos privados para Ciro Nogueira

                  STF diz que vantagens extrapolam “mera amizade”

                    Ao analisar o caso, o STF afirmou que os elementos reunidos até agora indicam uma relação que vai além de amizade entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Na decisão, o ministro cita pagamentos mensais, imóveis de alto padrão, viagens internacionais e vantagens societárias milionárias como indícios de um “arranjo funcional” voltado a benefícios mútuos.

                    Mudança em empresa após operação da PF

                      A PF destacou que Felipe Vorcaro deixou a presidência da Green Investimentos um dia após a primeira fase da Operação Compliance Zero. Para os investigadores, a mudança pode indicar uma tentativa de afastamento formal de uma das estruturas empresariais citadas no esquema investigado.

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