O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou a suspensão por 60 dias dos mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). A votação ocorreu nesta terça-feira (5) por 13 votos favoráveis contra 4 contrários. Os parlamentares foram punidos pela ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, quando impediram o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) de assumir a cadeira da presidência.
A sessão do colegiado começou às 13h30 e durou cerca de nove horas. O deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE) apresentou parecer propondo a suspensão dos três parlamentares por dois meses. Os casos foram examinados de forma individual. A representação contra os deputados foi apresentada por Gilberto Abramo (Republicanos-SP), correligionário de Motta.
Os deputados punidos informaram que vão apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se a CCJ rejeitar o recurso, os parlamentares ainda podem recorrer ao plenário da Câmara. A Corregedoria Parlamentar havia recomendado inicialmente a suspensão dos mandatos por 30 dias.
Antes da votação, os três deputados fizeram pronunciamentos. Zé Trovão afirmou: “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu assim o farei”. Van Hattem complementou: “Se for preciso, faremos quantas vezes for necessário”. Pollon declarou que a sanção seria uma “medalha” para os parlamentares envolvidos.
A sessão foi marcada por discussões entre deputados. A direita tentou adiar a votação. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), questionou o presidente do Conselho de Ética, Fábio Schiochet (União Brasil-SC). Em duas ocasiões, Silva afirmou que a decisão não poderia ser tomada com possibilidade de voto à distância.
O encerramento das discussões no plenário da Câmara durante a análise no colegiado gerou críticas da oposição. Os parlamentares interpretaram o gesto como uma tentativa de pressionar pela votação no Conselho de Ética. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o processo contra os bolsonaristas avançou por “desejo” e “revanchismo” de Motta.
Cavalcante pediu que o presidente da Casa pare de agir “com o fígado”. Ele declarou: “O senhor quer ficar exposto a esse nível com o plenário da Casa? Porque nós vamos até às últimas consequências. Um telefonema de vossa excelência e estaria tudo resolvido, não precisaríamos ter esse desgaste todo.” Mas, se isso satisfaz o ego de vossa excelência, eu quero, como líder do PL, lamentar porque não é o Hugo Motta que eu conheço”.
Duas representações contra Marcos Pollon
Marcos Pollon responde a duas representações no Conselho de Ética. A primeira se refere a um discurso proferido em manifestação em Mato Grosso do Sul, em agosto de 2025. Na ocasião, xingou Motta e se referiu ao presidente da Câmara como “baixinho de 1,60m”. O deputado reclamava da demora na pauta da anistia aos condenados por tentativa de golpe.
A denúncia referente à manifestação foi apresentada pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e Talíria Petrone (PSOL-RJ). A segunda representação está relacionada à ocupação da Mesa Diretora. Após o discurso, Pollon participou da ocupação que inviabilizou as votações por quase dois dias.
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Deputados de direita permaneceram no plenário impedindo que Motta assumisse a cadeira da presidência. Pollon ocupou o lugar do presidente da Casa ao lado de van Hattem e Zé Trovão durante o episódio. Na sessão de terça-feira, o deputado de Mato Grosso do Sul classificou a ocupação como “um ato de desespero”.
Pollon afirmou que Motta descumpriu acordos com a oposição para pautar a anistia. O parlamentar disse ainda que foi prometido aos envolvidos no motim que “não haveria perseguição e retaliação” após o episódio. Pollon declarou que a representação contra ele foi motivada por suas críticas ao presidente da Câmara.
O deputado pediu ao conselho que não puna os outros dois colegas envolvidos. Ele disse: “Recomendo aos senhores que, se suspensos formos, imprimam em papel cartão essa decisão e coloquem na sala de suas casas, para que todos que ali passem, saibam que vocês se levantaram para lutar”.
Defesa de Van Hattem e manifestação de Zé Trovão
A defesa de Marcel van Hattem foi conduzida pelo advogado e pré-candidato a deputado federal Jeffrey Chiquini (Novo). A argumentação negou que o deputado tenha sentado na cadeira de Motta ou impedido o início da sessão. Van Hattem afirmou que o processo representa uma tentativa de silenciar a oposição.
O deputado gaúcho estabeleceu comparação com o julgamento dos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. Van Hattem, que é pré-candidato ao Senado, reforçou que, caso eleito para a Casa, trabalhará para aprovar o impeachment de ministros do STF.
Durante a sessão do Conselho de Ética, Zé Trovão se emocionou ao discursar. Ele afirmou que os funcionários do seu gabinete passarão dois meses sem receber salários. O deputado fez ataques ao STF. Declarou que os colegas estavam cometendo uma injustiça.
O parlamentar assumiu a responsabilidade pela apresentação contra ele, motivada por suas falas com críticas ao presidente da Câmara. Zé Trovão pediu ao conselho que não punisse os outros dois colegas. Ele disse: “Recomendo aos senhores que, se suspensos formos, imprimam em papel cartão essa decisão e coloquem na sala de suas casas, para que todos que ali passem, saibam que vocês se levantaram para lutar”.




