Eduardo Bolsonaro nega uso de verba de filme para custear vida nos EUA

Ex-deputado rebate suspeita da PF de que recursos da produção ‘Dark Horse’ custearam sua permanência nos EUA

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Eduardo Bolsonaro em entrevista à TMC
(Foto: TMC)

Eduardo Bolsonaro negou nesta quarta-feira (14) ter recebido dinheiro de um fundo de investimento destinado a financiar um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga se recursos pagos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram desviados para custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.

Em postagem no X, Eduardo afirmou que as autoridades norte-americanas não permitiriam que ele recebesse valores do Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por aliados do ex-parlamentar. A declaração foi feita após o Intercept Brasil revelar mensagens e áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre o financiamento da produção ‘Dark Horse’.

Flávio cobrou R$ 134 milhões para filme

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para bancar o filme sobre o pai. Desse total, o ex-banqueiro pagou R$ 61 milhões, transferidos para o fundo no Texas. Thiago Miranda, dono de agência de publicidade digital e gestor do Havengate, confirmou o pagamento ao UOL.

Em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro de 2025, Flávio demonstrou preocupação com o atraso nas parcelas. “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, disse o senador.

Em mensagem de 16 de novembro de 2025, Flávio voltou a pressionar: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Fundo é controlado por aliados de Eduardo

O Havengate Development Fund LP tem como gestor um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro. Miranda explicou ao UOL que sua participação se limitou a buscar investidores. “O advogado é gestor do fundo também. Minha participação nisso foi buscar investidores. Esse advogado é gestor desse fundo e de confiança de Eduardo Bolsonaro”, afirmou.

Em nota, Flávio confirmou a negociação com Vorcaro e defendeu a escolha de investir nos Estados Unidos. “Ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil, pois seria devidamente perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe, como faziam. Investimento nos Estados Unidos garantem segurança jurídica em uma jurisdição séria”, declarou.

Senador nega desvio para Eduardo

Em entrevista à GloboNews, Flávio negou que o dinheiro de Vorcaro tenha servido para financiar Eduardo nos Estados Unidos. “Não é algo, como querem induzir, um investimento que faz um caminho para financiar Eduardo Bolsonaro. Isso é mentira. Isso é ilação”, afirmou o senador.

Flávio também tentou vincular o escândalo envolvendo Vorcaro ao governo Lula. O ex-banqueiro foi preso em novembro do ano passado sob suspeita de lavagem de dinheiro e fraudes na Entre Investimentos e Participações.

Por que isso importa

A investigação da PF pode revelar se recursos destinados a uma produção cultural foram desviados para fins pessoais. O caso também expõe a dificuldade de financiar projetos ligados a figuras políticas polarizadoras no Brasil, levando investidores a buscar jurisdições estrangeiras.

Em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) tentou intimar o produtor Mário Frias sobre emendas parlamentares destinadas a uma produtora envolvida no filme. A tentativa não teve sucesso, segundo a Folha de S.Paulo.

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