O partido Unidade Popular (UP) oficializou, neste domingo (26), a candidatura da dentista do Sistema Único de Saúde (SUS) Samara Martins à Presidência da República. Ela disputou a última eleição presidencial como vice na chapa de Léo Péricles, presidente nacional da sigla, e agora encabeça uma chapa 100% feminina ao lado da guarda-portuária paraense Raquel Brício, indicada ao cargo de vice-presidente.
A convenção nacional ocorreu na Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e reuniu filiados e 13 candidatos da legenda a governos estaduais, grupo composto majoritariamente por mulheres (11 no total).
Em seu discurso, Samara defendeu a reestatização de empresas privatizadas, o fortalecimento de contratações diretas pelo poder público e a reorientação dos recursos do orçamento federal. A proposta do partido inclui “a nacionalização de todas as riquezas estratégicas do nosso país”.
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Para alavancar os investimentos sociais, a presidenciável propõe a auditoria e a suspensão do pagamento da dívida pública. “Uma das medidas que a gente considera fundamental é que o orçamento seja destinado a essas questões sociais, em que o povo trabalhador esteja no centro”, afirmou.
Ao abordar os desafios de viabilidade eleitoral enfrentados por siglas de menor visibilidade nacional, a candidata criticou a disparidade no acesso aos meios de comunicação tradicionais e destacou que o plano de campanha priorizará o trabalho de base e o engajamento da militância em bairros, universidades e ambientes de trabalho.
“É com a militância, com os filiados da Unidade Popular, que a gente construiu o partido até agora. É nessa luta de rua, olho no olho, conversando com as pessoas, que a gente quer disputar e ultrapassar essa barreira.”
Pauta de gênero e representatividade
A escolha por uma composição integralmente feminina na chapa majoritária — alinhada ao lançamento de 12 candidatas aos governos estaduais entre 17 disputas locais — foi apontada por Samara como crucial no combate ao feminicídio e à desigualdade de gênero.
Entre as propostas apresentadas estão a criminalização da misoginia, a responsabilização de plataformas digitais pelo combate a discursos de ódio contra mulheres e a inclusão da educação de gênero na grade escolar. A candidata também defendeu a implementação de leis para assegurar maior presença de mulheres e pessoas negras nos espaços institucionais de decisão, inclusive no Congresso Nacional. “É necessário a gente forçar por lei que seja feita essa inversão”, pontuou.




