A maioria absoluta dos eleitores brasileiros (53%) afirma que as “ideias e propostas” são o principal fator na hora de decidir o voto para a Presidência da República, superando o alinhamento ideológico ou partidário. É o que revela o levantamento nacional da Alfa Inteligência de março de 2026. Na prática, votar em alguém por “ser de direita” influencia 10% dos entrevistados, enquanto “ser de esquerda” é determinante para apenas 5%.
Como detalhado em recortes anteriores do mesmo levantamento, um terço do eleitorado brasileiro já rejeita os rótulos tradicionais de “esquerda” e “direita”. Cerca de 65% declaram não estar alinhados automaticamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
O peso do pragmatismo pode ajudar a explicar o que deve ser cobrado pela população nas eleições deste ano. A maioria dos eleitores de Lula (71%) reconhecem que o voto esteja alinhado ao volume de entregas que o governo fez durante o 3º mandato do presidente.
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Em março, durante uma reunião ministerial, Rui Costa, da Casa Civil, aproveitou demonstrou insatisfação com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, comandada pelo publicitário Sidônio Palmeira. Ao apresentar um balanço da gestão, Rui Costa questionou o colega se “o povo sabe” das entregas realizadas pelo governo.
O peso da economia e a insatisfação com Lula
Já o eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL) apresenta uma motivação mais dividida. Embora 33% também priorizem as propostas, o fator ideológico é muito mais latente, com 25% decidindo o voto especificamente por ele “ser de direita”. Além disso, a base bolsonarista é a que mais leva a “situação econômica” em consideração (14%) na hora da definição.
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Ao longo dos quatro anos da gestão Lula, a insatisfação econômica tem marcado a percepção do brasileiro, apesar dos indicadores econômicos mostrarem um otimismo moderado. Em fevereiro, a Secretaria de Política Econômica (SPE) divulgou o balanço de 2025 e as perspectivas para 2026.
A estimativa da SPE aponta para expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% em 2026, após 2025 registrar o aumento de 2,3 no PIB, segundo o IBGE. Ainda que a projeção do IPCA seja de 3,6% e a taxa de desemprego, no último trimestre de 2025, de 5,1%. Contudo, o endividamento familiar, a inadimplência e a falta de perspectiva de mudanças para os jovens estão entre os fatores que têm feito a insatisfação com o governo Lula crescer.
O que esperar para as eleições de 2026?
Com base nas pesquisas anteriores da Alfa Inteligência, é possível constatar que o eleitorado pragmático, aquele que foge de rótulos, possui uma forte matriz conservadora — até mesmo na base da esquerda. Para tentar arrecadar o voto dessa parcela, as campanhas do PT e do PL estão ajustando seus discursos.
A equipe de Lula estabeleceu como foco central apresentar o senador como agente político que atuaria segundo interesses dos Estados Unidos, enquanto Flávio Bolsonaro pretende concentrar as críticas na gestão econômica, na segurança pública e no combate à corrupção.
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A pesquisa Alfa Inteligência realizou mil entrevistas entre os dias 6 e 11 de março de 2026. O nível de confiança do estudo é de 95%, com uma margem de erro estimada em 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos.




