Exclusivo: “Brasil precisa sair da disputa entre extremos”, diz Aécio

Presidente do PSDB descarta lulopetismo e bolsonarismo, defende responsabilidade fiscal e propõe mandato de 12 anos para ministros do STF

Por Felipe Cerqueira | Atualizado em
(Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O deputado federal e atual presidente da federação PSDB-Cidadania, Aécio Neves, afirmou que o cenário político nacional não pode continuar refém da polarização entre o que chamou de “lulopetismo” e o “bolsonarismo”. Em entrevista à TMC, o parlamentar defendeu a urgência na construção de um projeto político moderado, ressaltando que “o Brasil precisa sair da disputa entre extremos” para voltar a crescer e pacificar a sociedade.

Segundo Aécio, a manutenção do atual acirramento político interessa apenas aos dois polos, que se alimentam da rejeição mútua. Ele alertou que uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de um herdeiro político de Jair Bolsonaro (PL) manterá o país “dividido ao meio por mais de uma década”. Para o deputado, esse cenário inviabiliza a construção de um pacto nacional e a aprovação de reformas fundamentais no Executivo, Legislativo e Judiciário. “Existe vida inteligente entre os extremos”, enfatizou.

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A viabilidade da ‘terceira via’

Apesar de não confirmar o lançamento oficial de uma pré-candidatura à Presidência da República, Aécio admitiu que vem sendo estimulado por grandes lideranças de seu partido. Contudo, declarou que só assumirá a cabeça de uma chapa se houver “viabilidade real” e mostrou-se aberto a apoiar outro nome de centro que consiga unificar os eleitores. O objetivo da federação, explicou, é apresentar um projeto programático, liberal na economia e pragmático nas questões sociais e diplomáticas.

Economia e segurança pública

O tucano foi enfático ao criticar a atual gestão econômica federal. Em sua avaliação, “o Brasil hoje é refém da política fiscal expansionista do governo Lula”, o que pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter altas taxas de juros. Como alternativa, Aécio defendeu o retorno a uma política fiscal austera e rígida, considerando-a essencial para atrair investimentos privados e gerar empregos de qualidade.

Na área da segurança pública, o deputado propôs a criação de um Ministério da Segurança com atuação e inteligência compartilhadas entre União, estados e municípios, além da destinação obrigatória de fundos específicos para o setor — criticando o atual governo por buscar, segundo ele, protagonismo apenas por razões de popularidade.

Limites no STF e equilíbrio entre Poderes

Outro ponto de destaque na entrevista foi o reequilíbrio das instituições. Aécio defendeu abertamente a imposição de um limite temporal para a atuação na Suprema Corte: “Defendo para os próximos ministros [do STF] um mandato de 12 anos”. Ele argumentou que o país não deve ter “um poder tão absoluto por tanto tempo nas mãos de qualquer indivíduo” e criticou o excesso de decisões monocráticas que acabam anulando as vontades coletivas do Congresso Nacional.

Lava-Jato e acusações do passado

Questionado sobre os impactos de acusações antigas em sua trajetória, especialmente no contexto da Operação Lava-Jato, Aécio lembrou que foi absolvido por unanimidade pela Justiça em todas as instâncias. Ele classificou as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, dono da J&F, como uma “vergonhosa armadilha política” que tirou o PSDB do jogo em 2018. O parlamentar também aproveitou para criticar os supostos benefícios e monopólios que o grupo empresarial continua adquirindo no atual governo. “Caminho de cabeça erguida por onde vou”, garantiu.

Por fim, o deputado, que completa 40 anos de mandatos eletivos consecutivos, reafirmou seu compromisso de estruturar politicamente a federação. O foco, segundo ele, é “radicalizar pelo centro” e oferecer aos brasileiros uma alternativa concreta para escapar da “camisa de força” de aumento de impostos e populismo.

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