A política brasileira sofre de um problema que antecede qualquer debate ideológico: a falta de renovação. Direita e esquerda parecem incapazes de formar novas lideranças e seguem reféns das mesmas figuras de sempre.
Na esquerda, o PT continua dependendo exclusivamente de Lula. Depois de tantos anos no poder, o partido não conseguiu construir um sucessor competitivo. Dilma Rousseff foi uma solução circunstancial, mas a sucessão nunca aconteceu.
O resultado é um partido que ainda gira em torno de um único nome.
Na direita, o cenário não é muito diferente. Apesar de haver mais pré-candidatos, boa parte do campo conservador continua orbitando a família Bolsonaro.
Muitos nomes deixam de construir protagonismo próprio e aguardam a chancela de um sobrenome para se viabilizar politicamente.
Esse é o retrato de uma política que abandonou a formação de lideranças. Os partidos preferem apostar em personalidades já conhecidas em vez de preparar uma nova geração.
No fim, a maior pobreza da política brasileira talvez não esteja na polarização, mas na incapacidade de pensar o futuro.