Ronaldo Caiado, presidenciável do PSD e ex-governador de Goiás, criticou publicamente o senador Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (22/07) após o pré-candidato do PL repetir afirmações infundadas sobre urnas eletrônicas em reunião com embaixadores estrangeiros. Segundo Caiado, a oportunidade foi desperdiçada: “Quarenta e dois embaixadores numa sala: dava pra vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento”.
Na última terça-feira (21/07), Flávio participou de um encontro com 42 embaixadores e voltou a afirmar, sem base factual, que as urnas brasileiras têm a mesma origem da Smartmatic, empresa venezuelana de sistemas eleitorais. Segundo Caiado, a afirmação é falsa.
42 embaixadores numa sala:
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 22, 2026
Dava para vender soja.
Dava para abrir mercado para indústria.
Dava para atrair investimento.
Escolheram falar de urna eletrônica!
O ex-governador também comparou Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho de Jair Bolsonaro, ao personagem Pateta. Segundo Caiado, “o Pateta da Disney é atrapalhado, mas bem-intencionado e inofensivo”, enquanto “o da política brasileira tropeça nos Estados Unidos, e a queda pode custar caro ao Brasil, atingindo a indústria, as exportações e os empregos”.
A crítica tem como alvo o green card concedido pelo governo de Donald Trump a Eduardo Bolsonaro nesta segunda-feira (20/07). Para Caiado, quem precisa do benefício “é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano”. Eduardo, segundo o ex-governador, articulou medidas hostis ao Brasil, entre elas as tarifas comerciais que os Estados Unidos impuseram ao país.
À medida que a eleição presidencial de 2026 se aproxima, o embate entre Caiado e o clã Bolsonaro se acirra. Sondagens indicam que nomes da direita como Caiado e Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, seriam competitivos num eventual duelo com o presidente Lula, do PT, favorecidos pelo elevado índice de rejeição ao petista num cenário político altamente polarizado.
Em 11 de julho, Jair Bolsonaro manifestou apoio à candidatura de Flávio por meio de uma carta cujo conteúdo foi lido pelo senador em plenário. Jair cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e teve os direitos políticos cassados em 2023 depois de atacar o sistema eleitoral numa reunião com embaixadores.
Caiado interpretou o endosso do pai como sinal negativo para Flávio. Segundo o presidenciável do PSD, o apoio indica extrema fragilidade do senador. Caiado também afirmou que “o eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança” e que “Estamos em uma campanha eleitoral. Quem tem que responder somos nós, os candidatos”.
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