Exclusivo: Motta diz que aposta no diálogo mesmo quando é “atacado injustamente”

Alvo de apuração da PF por viagem bancada por banqueiro, presidente da Câmara nega irregularidades, critica a “criminalização” do setor e defende entregas práticas

Por Lucas Scherer | Atualizado em
(Foto: TMC-DF)

Em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal (PF), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou um evento na Casa Parlamento, em Brasília, para fazer uma forte defesa da classe política. Nesta terça-feira (16/06), o parlamentar afirmou que o caminho para o país é a articulação institucional e o diálogo, mesmo quando o setor é alvo de acusações que ele classifica como falsas ou injustas.

Durante o encontro, Motta destacou a importância de líderes partidários que buscam a “resolutividade” em vez do “discurso fácil”. O posicionamento ganha um peso diferente diante do cenário atual do deputado: seu nome tem sido vinculado a supostos favores financeiros do banqueiro mineiro Daniel Vorcaro.

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“O discurso fácil é muito efêmero. Da mesma forma que você faz o discurso, ele também se desfaz. O que fica são os resultados que a gente entrega, são as boas leis que a gente aprova, é o orçamento que a gente coloca na ponta para mudar a vida das pessoas.”

Para Motta, a política vive um momento em que é frequentemente “atacada, às vezes criminalizada e falsamente acusada”, mas a resposta deve continuar sendo o pragmatismo e a entrega de resultados para a sociedade.

Mais cedo, questionado por jornalistas sobre as investigações de que o empresário teria bancado suas despesas em um hotel de luxo, Motta manteve a postura de defesa institucional e pessoal. Ele afirmou estar tranquilo, disse confiar no trabalho das autoridades e justificou a viagem como um compromisso puramente profissional.

“Não vejo problema algum”, declarou o deputado. Ele explicou ter ido a Lisboa para um encontro jurídico, evento ao qual retornou neste ano, já na condição de presidente da Câmara.

Entenda o caso: a investigação da Polícia Federal

A defesa de Hugo Motta ocorre em resposta ao rastreamento de gastos feito pela PF, que apura a relação de membros do alto escalão do Congresso Nacional com Daniel Vorcaro. Os pontos centrais da investigação incluem:

  • A viagem a Portugal: a PF aponta que o banqueiro custeou as despesas de uma viagem a Lisboa, em junho de 2024, para Hugo Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do partido no Senado.
  • Hospedagem de alto padrão: segundo os investigadores, Vorcaro desembolsou mais de R$ 90 mil para pagar cinco dias de hospedagem para os dois políticos em um hotel de luxo na capital portuguesa.
  • A relação com o empresário: documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam uma amizade pessoal entre Ciro Nogueira e o banqueiro. As autoridades investigam, ainda, se Vorcaro prestava outros “favores financeiros” aos parlamentares envolvidos na apuração.

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