O ministro André Mendonça, relator do caso Master na Suprema Corte, retirou nesta terça-feira (16/06) o sigilo de inquéritos relacionados ao assunto.
Os documentos revelam novos detalhes da investigação conduzida pela Polícia Federal sobre a relação entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco.
De acordo com as investigações, existia uma relação de proximidade pessoal entre os dois, marcada por viagens internacionais bancadas por Vorcaro, encontros privados, conversas frequentes, voos em jatinhos particulares e demonstrações públicas de amizade.
Segundo os investigadores, porém, a intimidade não era apenas pessoal, mas “uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos”, aponta o documento.
Para a corporação, a relação entre os dois se caracteriza como um “típico mutualismo ilícito”. Entre as provas reunidas estão fotografias que mostram Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro juntos em viagens ao exterior, registros dentro de aeronaves particulares e conversas extraídas de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação.
Segundo a Polícia Federal, documentos financeiros e mensagens indicam a existência de repasses mensais, inicialmente fixados em R$ 300 mil e posteriormente elevados para R$ 500 mil. Os valores, de acordo com a investigação, seriam ocultados por operações entre empresas ligadas aos dois.
Os investigadores também relatam a identificação do transporte de R$ 350 mil em dinheiro vivo. Em mensagens apreendidas, aparece a anotação “Espécie Ciro 350k”, referente ao transporte dos recursos em uma sacola durante um voo entre São Paulo e Brasília para posterior entrega ao senador.
O senador ainda não se pronunciou sobre o assunto.