A Polícia Militar de São Paulo autorizou manifestação do grupo Patriotas do QG na avenida Paulista para 1º de maio. O pedido foi protocolado em setembro de 2024, quase dois anos antes da data do evento. A decisão impediu que centrais sindicais ocupassem o tradicional espaço para celebrações do Dia Internacional dos Trabalhadores.
A CSP-Conlutas solicitou uso da via apenas em março de 2026. Ficou em segundo lugar na fila de pedidos. A entidade sindical transferiu sua programação para a Praça da República, no centro da capital paulista. A comunicação oficial sobre a impossibilidade de realizar o ato na Paulista chegou aos organizadores sindicais na sexta-feira (24/04).
Um encontro envolvendo representantes dos movimentos organizadores, da Prefeitura de São Paulo e da Polícia Militar definiu os locais onde cada grupo poderia se manifestar. Além do Patriotas do QG e da CSP-Conlutas, outros coletivos também solicitaram autorização para eventos na mesma data.
Os grupos A Voz da Nação e Marcha da Liberdade, ambos identificados com pautas de direita, decidiram unificar suas atividades com a manifestação do Patriotas do QG. O Movimento Intersindical redirecionou sua programação para a Praça Roosevelt, igualmente situada na região central.
O Movimento Ekballo, de caráter religioso, obteve permissão para concentração na avenida Paulista com início previsto para as 19 horas.
Carlos Silva, corretor de imóveis responsável pela criação do Patriotas do QG, administra uma página nas redes sociais com aproximadamente 4 mil seguidores. O conteúdo publicado inclui manifestações de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal. As postagens também trazem críticas ao Supremo Tribunal Federal.
As publicações trazem reivindicações pela liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vídeos produzidos com inteligência artificial convocam pessoas para a manifestação. As publicações na página alternam entre conteúdo político e divulgação dos imóveis comercializados por Silva em sua atividade profissional.
Os responsáveis pelo Patriotas do QG estimam a participação de 35 mil pessoas na manifestação programada para a Paulista. A expectativa divulgada pelo movimento inclui a presença de parlamentares, entre senadores e deputados das esferas federal e estadual. Até o momento da divulgação da informação, lideranças políticas de direita não haviam confirmado publicamente comparecimento ao evento.
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Durante o encontro entre autoridades e organizadores, a Polícia Militar apresentou justificativa para a distribuição dos espaços. A corporação alertou sobre possível tensão caso a CSP-Conlutas realizasse atividade nas proximidades da avenida Paulista simultaneamente a outros grupos. Nesse cenário, o Batalhão de Choque seria mobilizado para liberar a via. O Ministério Público seria comunicado sobre a situação.
A CSP-Conlutas manifestou insatisfação com o processo de comunicação. A central sindical classificou a medida como tardia. Denunciou “um grave ataque ao direito de manifestação da classe trabalhadora justamente no Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, ao mesmo tempo em que privilegia a ocupação do espaço público por setores da extrema direita”.
Em pronunciamento oficial, a Polícia Militar reafirmou o critério adotado para concessão das autorizações. Segundo a corporação, os “representantes dos movimentos que foram orientados a mudar de local reconheceram a prioridade de protocolo dos pedidos feitos pelos demais organizadores”.
A antecipação do pedido por parte do movimento bolsonarista garantiu prioridade sobre entidades sindicais que tradicionalmente ocupam o espaço no 1º de maio. A redistribuição dos locais de concentração altera a geografia tradicional das celebrações do Dia do Trabalhador na capital paulista.




