Lula afirmou nesta quarta-feira (22/07) que o Brasil não vai ficar “chorando” por exportações que deixarão de chegar aos Estados Unidos. O presidente disse que os diálogos com Washington não tiveram reciprocidade e que o país buscará outros compradores para seus produtos.
Nesta quarta, o governo Trump confirmou a imposição de uma alíquota de 25% incidente sobre mercadorias brasileiras. A decisão teve como base uma investigação que concluiu que o Brasil mantém práticas capazes de onerar ou restringir as trocas comerciais com os EUA.
“Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação”, disse Lula. “A gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, acrescentou.
Entre os exemplos citados pelo governo americano estão o Pix, sistema de pagamentos instantâneos, e a regulação de plataformas digitais. Na prática, isso significa que Washington usou políticas internas brasileiras como argumento para justificar as sobretaxas.
Os setores atingidos pelas tarifas incluem aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, fertilizantes, farmacêutico, têxtil e minerais críticos, segundo o governo brasileiro.
Medidas de resposta do governo brasileiro
Apesar do tom firme, Lula reafirmou que o Brasil permanecerá na mesa de negociação. “E vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar email, tweet, que mandem, nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação”, seguiu o presidente.
Para apoiar as empresas atingidas, o governo federal disponibilizou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito. Os recursos são voltados a companhias prejudicadas tanto pela alíquota de 25% quanto pelo conflito no Oriente Médio.
Além disso, Lula sancionou lei que destina R$ 15 bilhões ao Brasil Soberano 2, programa que expande uma iniciativa lançada em 2025 como resposta ao primeiro pacote de tarifas americanas. O texto tem origem em medida provisória (MP) editada em março de 2026.




