O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou a aliados que pretende reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, mesmo após a rejeição inédita sofrida pelo chefe da AGU. No Palácio do Planalto, a derrota passou a ser tratada como uma afronta política ao governo e à prerrogativa presidencial de indicar ministros da Corte.
A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Auxiliares de Lula avaliam que o senador atuou nos bastidores para barrar Messias, embora Alcolumbre negue qualquer articulação. A avaliação no governo é de que uma nova indicação pode se transformar em um novo embate entre Executivo e Congresso.
Segundo o jornal O Globo, Lula chegou a discutir alternativas para a vaga no STF após a derrota, inclusive diante da pressão de setores do PT pela indicação de uma mulher. A hipótese, porém, perdeu força rapidamente, já que aliados consideram que abandonar o nome de Messias agora consolidaria a imagem de derrota política do governo.
O clima entre Lula e Alcolumbre ficou evidente na posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, na última terça-feira (12). Apesar de dividirem a mesa principal da cerimônia, os dois quase não conversaram. Nos bastidores, aliados do presidente interpretaram a cena como sinal de que ainda não há espaço para reaproximação.




