O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve se reunir em agosto para decidir o futuro do ministro afastado Marco Buzzi. O julgamento do processo administrativo disciplinar ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizar o pedido de aposentadoria compulsória do magistrado — a sanção mais severa prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).
Paralelamente ao processo que tramita no STJ, as condutas do ministro também são alvo de um inquérito criminal sob a análise do Supremo Tribunal Federal (STF). O escândalo que culminou no afastamento de Marco Buzzi envolve denúncias de assédio sexual em duas frentes distintas, vindo a público após relatos detalhados de abusos e uma rede de proteção montada por servidores.
Os abusos contra servidora e o monitoramento por WhatsApp
Assédio em série: De acordo com a peça assinada pelo subprocurador-geral da República José Adonis, Buzzi praticou assédio sexual contra a funcionária em sete ocasiões, num período de dois anos (entre 2023 e 2025).
O primeiro episódio teria ocorrido na biblioteca do gabinete do ministro. Os relatos apontam para condutas graves, incluindo toques nas nádegas, agarramentos pelas partes íntimas, constrangimentos e encurralamento em espaço fechado. O clima de medo e a gravidade dos fatos levaram os próprios colegas de trabalho da vítima a se organizarem.
Servidores e assessores criaram uma escala interna de trabalho e um sistema de monitoramento por mensagens de WhatsApp para garantir que a servidora nunca ficasse a sós no mesmo ambiente que o magistrado. As testemunhas corroboraram a versão da vítima à Corregedoria Nacional de Justiça.
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Segunda acusação e desdobramentos
Em janeiro de 2026, uma nova denúncia contra o ministro veio a público, agravando a crise. Buzzi também passou a ser investigado por assédio sexual contra uma jovem de 18 anos em Balneário Camboriú (SC).
O episódio foi o estopim para a abertura da sindicância interna no STJ, procedimento no âmbito do qual a PGR formalizou o pedido para que ele seja aposentado compulsoriamente.
O que diz a defesa
O processo tramita em segredo de Justiça. A defesa do ministro é conduzida por sua esposa e advogada, Katcha Buzzi. Em posicionamento oficial, a defesa informou que não nega a existência das acusações, mas sustenta estar comprovando de forma robusta que os fatos narrados pelas supostas vítimas nunca ocorreram.




