O presidente Lula chamou o senador Jaques Wagner (PT-BA) de ‘irmão’ em evento realizado em Alagoinhas (BA) nesta quarta-feira (01/07). Foi a primeira aparição pública conjunta dos dois desde que a Polícia Federal (PF) deflagrou operação de busca e apreensão contra o senador no âmbito do caso do Banco Master. No discurso, Lula declarou: “A verdade é essa: nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão —e essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser quem eu sou”.
De acordo com a PF, Wagner é suspeito de ter recebido R$ 2,5 milhões em propina por meio de um apartamento, e R$ 3,5 milhões teriam sido direcionados a uma empresa com vínculos à mulher do enteado do senador. A defesa nega as acusações. Em nota, os advogados destacaram que Wagner se posicionou contra a chamada Emenda Master, mecanismo orçamentário no centro das investigações: “Todos esses posicionamentos e atuações do senador Jaques Wagner são públicos. O próprio relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto”.
No discurso em Alagoinhas, Lula relembrou a trajetória política de Wagner com suas próprias palavras: “Eu achava impossível o Galego [apelido de Jaques] ser candidato aqui e ganhar. Ele era meu ministro do Trabalho [2003-2004] quando ele me procurou, falou: ‘Ô Lula, eu vou ter que sair porque vou ser candidato a governador’. Falei: ‘Você é louco, cara. Você é louco, você tá aqui no meu governo, você diminui tudo [os índices de desemprego] no Trabalho, você vai fazer uma aventura de enfrentar o carlismo?’. Ele falou: ‘Vou’. Falei: ‘Wagner, você vai perder as eleições’. ‘Eu vou ganhar.’ E não é que o Galego veio e ganhou no primeiro turno as eleições?” Depois, Wagner cumpriu dois mandatos como governador do estado.
Apoio político e eleições em outubro
O senador Otto Alencar (PSD-BA) também discursou no evento e dedicou quase toda a fala em defesa de Wagner. Alencar afirmou ter “admiração muito grande” pelo colega e disse que o histórico do senador fala por si: “você, com sua história, ao lado do presidente, não precisa nada, o povo vai explicar isso no dia 4 de outubro“, data prevista para o primeiro turno das eleições.
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O próprio Wagner usou o microfone para reafirmar apoio ao presidente. “Estamos firmes aqui, defendendo o seu nome, o seu projeto e vamos para cima porque esse ano é ano de festa da democracia”, declarou o senador.
Na semana anterior ao evento, Wagner deixou a liderança do governo no Senado. No final de semana que antecedeu o encontro em Alagoinhas, ele já havia retomado atos de pré-campanha na Bahia.




