O pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, afirmou que pretende obrigar beneficiários do Bolsa Família a aceitarem propostas de emprego, sob risco de perder o benefício. Ele também defendeu a concessão de anistia a condenados por tentativa de golpe como uma das primeiras medidas de governo e classificou o fim da escala 6×1 como “populismo em ano eleitoral”.
Ele falou com a imprensa durante o evento de lançamento do plano de governo, nesta quinta-feira (16), em São Paulo, e apresentou propostas alinhadas a uma agenda de redução do papel do Estado, flexibilização trabalhista e privatizações, diretrizes que já vinham sendo defendidas pelo pré-candidato em outras agendas públicas.
Bolsa Família
O ex-governador de Minas Gerais afirmou que “homens, jovens e saudáveis” que recebem o Bolsa Família deverão ser “obrigados” a aceitar ofertas de trabalho, sob pena de perder o benefício. O pré-candidato também voltou a defender mudanças no mercado de trabalho, afirmando que não pretende acabar com a CLT, mas criar “outras alternativas” e um “complemento trabalhista”.
“Vou obrigar beneficiários do sexo masculino, saudáveis, a aceitar propostas de emprego. Caso não tenha emprego, ele terá que estar ajudando como voluntário na prefeitura, um ou dois dias por semana, na limpeza urbana, em uma creche municipal. E tem que fazer algum curso, porque você está dando auxílio para um marmanjão. Criamos no Brasil uma cultura do vitimismo, e hoje já é filho de quem recebia o Bolsa Família que continua recebendo. Daqui a pouco é o neto”, afirmou Zema.
Escala 6 x 1
Já no debate sobre jornada de trabalho, o pré-candidato criticou propostas de mudança no modelo atual e classificou o fim da escala 6×1 como “populismo em ano eleitoral”.
A proposta está em discussão no Congresso Nacional e tem provocado um embate entre o governo Lula, políticos da direita, sindicatos de trabalhadores e instituições ligadas a diversos setores da economia.
Anistia
Ele também reiterou apoio à anistia, dizendo que a medida estaria entre seus primeiros atos caso eleito. Integrantes da direita defendem a aprovação no Congresso ou uma medida de um eventual novo presidente, em 2027, concedendo anistia aos condenados em processos por tentativa de golpe e outros crimes ligados ao 8 de janeiro. A anistia teria o ex-presidente Jair Bolsonaro como um dos beneficiados.
“O Brasil precisa olhar para a frente e esquecer os erros do passado”, afirmou.
Até o fim
No campo político, Zema afirmou que sua candidatura será mantida até o fim do processo eleitoral, mas sinalizou a possibilidade de união com outros nomes da direita em um eventual segundo turno.
O lançamento do plano reforça a estratégia de Zema de se apresentar como candidato liberal, com foco em privatizações, redução de gastos públicos e flexibilização das relações de trabalho — pontos que também aparecem em propostas como a venda de estatais e reformas estruturais.




