Vídeo registra PM em escola após queixa de pai sobre lição de orixá; policial acusa diretora de “impor ideologia”

Um dos policiais portava metralhadora. A atividade seguia leis federais sobre ensino de cultura afro-brasileira e indígena

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(Foto: Reprodução/Google Street View)

Doze policiais militares entraram na EMEI Antônio Bento, em São Paulo, depois que um pai denunciou um desenho de orixá feito pela filha na escola. Um dos agentes portava metralhadora durante a entrada na unidade de educação infantil. O episódio ocorreu em novembro do ano passado, e as imagens da câmera corporal do comandante foram acessadas pela TMC nesta segunda-feira (22).

A criança tinha 4 anos quando fez o desenho de Iansã. Segundo a diretora da escola, o pai entrou na unidade de forma agressiva. “O que a gente tem aqui na escola é o ensino da cultura afro-brasileira, um projeto referendado a partir dos documentos da prefeitura. O munícipe em questão é de uma religião cristã. Ele não gostou dessa temática. Ele entrou ontem de maneira agressiva na escola, coagiu a professora, gritou com ela apontando o dedo no rosto dela, arrancou o desenho da criança que estava o nome da filha dele”, contou a diretora.

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A atividade pedagógica

A diretora explicou que o projeto era baseado nas leis federais 10.639 e 11.645, que determinam o ensino de cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. O material usado foi o livro infantil ‘Ciranda de Aruanda’, do acervo distribuído às escolas da rede municipal. Ela também afirmou que o trabalho seguia orientações da Secretaria Municipal de Educação.

Nas imagens da câmera corporal, o tenente Ronald Camacho questionou o caráter do conteúdo: “Como não? Eu vi um desenho que está escrito Iansã”. A diretora respondeu que se tratava de ensino de cultura, não de religião. O tenente discordou e encerrou a conversa com uma ameaça: “A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar o seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora hoje. E se tiver alguma medida, eu tomarei e voltarei aqui com uma medida administrativa”.

A diretora também questionou a presença do grande efetivo na escola: “Chega um efetivo armado para tratar de uma ação de um munícipe que nem está aqui”. Em outro momento, o tenente afirmou buscar uma posição neutra: “A escola tem uma defesa, seus princípios e ensinamentos, da construção socioeducacional da criança. O pai tem uma opinião dele. Estou tentando ouvir”.

Investigação em andamento

Durante o episódio, a diretora ligou para a supervisora de ensino da Diretoria Regional de Educação do Butantã. A supervisora conversou com o tenente por viva-voz e questionou se o caso configurava intolerância religiosa ou discordância pedagógica. Ela foi direta: “isso é uma tratativa pedagógica. Isso é uma discussão pedagógica”.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a atuação dos policiais está sob investigação por meio de Inquérito Policial Militar. O resultado da apuração não foi divulgado até o momento.

Veja o vídeo:

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