Pesquisadores da Fiocruz Minas descobriram, no Plasmodium, fragmentos proteicos com potencial para embasar o desenvolvimento de uma vacina universal contra a malária. Os resultados foram divulgados na revista Nature em 1º de julho, uma quarta-feira.
A pesquisa, coordenada pela pesquisadora Caroline Junqueira, mapeou 453 peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas, derivados de 166 proteínas do parasita. O foco foi entender como os linfócitos T CD8+, células do sistema imune, reconhecem e combatem o Plasmodium.
Por que esses fragmentos são promissores
Os peptídeos identificados vêm de proteínas do tipo housekeeping, aquelas responsáveis por funções essenciais ao parasita em todos os estágios do seu ciclo de vida. Segundo Junqueira, essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e são altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal”.
Os alvos vacinais encontrados estão presentes tanto no P. falciparum quanto no P. vivax, as duas principais espécies que causam malária em humanos.
Testes em humanos e animais
A equipe verificou resposta imunológica em cinco espécies distintas do Plasmodium. Os experimentos envolveram pacientes com infecção natural por P. vivax e P. falciparum, voluntários expostos à infecção em contexto experimental e modelos animais, incluindo camundongos e primatas. “Confirmamos a resposta imunológica em cinco espécies diferentes e em múltiplos hospedeiros, incluindo humanos naturalmente infectados, humanos submetidos à infecção experimental e modelos animais, tanto em camundongos quanto em primatas”, afirma a pesquisadora.
Conforme os dados da Fiocruz, os antígenos estimularam resposta de células T no fígado e no sangue nos modelos animais.
Desafio de mais de 50 anos
Junqueira ressaltou: “Há mais de 50 anos se tenta desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada, voltados principalmente para o P. falciparum e para crianças. Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais”.
As vacinas disponíveis hoje não cobrem o P. vivax, espécie prevalente em países como o Brasil. A identificação de alvos conservados entre espécies é apontada pela pesquisadora como um dos principais avanços do estudo para superar esse obstáculo.




