Google vira alvo de investigação do Cade por uso indevido de IA

Órgão abriu processo para apurar possível uso indevido de conteúdo jornalístico pelo Google com apoio de inteligência artificial

Por Agência JAGR | Atualizado em
No lado esquerdo da foto há um prédio cinza e do lado direito há uma tela de computador.
(Foto: Freepik e Reuters/Adriano Machado)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu, por unanimidade, abrir uma investigação contra o Google para apurar o suposto uso excessivo de conteúdos jornalísticos sem autorização, com auxílio de ferramentas de inteligência artificial. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, (23/04).

O processo administrativo possui como objetivo analisar se a prática pode configurar infração à ordem econômica, sobretudo no que diz respeito à concorrência no setor de buscas e ao impacto sobre veículos de comunicação, que podem estar deixando de faturar por conta da plataforma. Caso sejam identificadas irregularidades, o julgamento pode resultar em sanções administrativas.

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Entenda o que está sendo investigado

A apuração foca na forma como o Google utiliza conteúdos produzidos pela imprensa, como reportagens e notícias, em sistemas que envolvem inteligência artificial. Segundo integrantes do Cade, há indícios de que esses materiais estariam sendo usados sem autorização prévia dos veículos, e destaca uma preocupação em relação à remuneração, direitos autorais e competição no ambiente digital. Visto que os usuários continuam na plataforma através do resumo feito por IA, que provém de conteúdos jornalísticos, e deixam de acessarem os sites.

O caso também envolve o funcionamento dos algoritmos da plataforma, incluindo como ela organiza resultados de busca, distribui a atenção dos usuários e monetiza o tráfego gerado a partir desses conteúdos.

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Mudança de entendimento dentro do Cade

O tema já vinha sendo analisado desde o ano passado. Inicialmente, a área técnica do Cade havia recomendado o arquivamento do processo por falta de indícios suficientes. No entanto, o caso foi reavaliado pelo tribunal do órgão e retomado no dia 8 de março através do voto do conselheiro Diogo Thomson .

De acordo com a Camila Cabral, conselheira que votou a favor da reabertura, “O tema enfrentado nestes autos recomenda cautela justamente porque envolve ambiente de rápida transformação tecnológica, forte assimetria informacional e baixa observabilidade externa sobre os mecanismos pelos quais a plataforma organiza a busca, distribui atenção, coleta dados, monetiza tráfego e reutiliza conteúdo produzido por terceiros. Em casos dessa natureza, a dificuldade não está apenas em medir efeitos já consumados”, afirma.

Durante a retomada do julgamento, conselheiros passaram a considerar que há elementos relevantes que justificam uma investigação mais aprofundada. Com isso, houve uma mudança de posicionamento e a abertura do processo foi aprovada por unanimidade.

O que diz o Google

Em resposta, o Google afirmou que a decisão do Cade parte de uma interpretação equivocada sobre o funcionamento de seus produtos. A empresa destacou que suas ferramentas, incluindo recursos baseados em IA, têm como objetivo ampliar a visibilidade de conteúdos e direcionar tráfego para sites de notícias.

Segundo a companhia, bilhões de cliques são enviados diariamente para páginas externas, o que, na visão da empresa, contribui para o ecossistema da web aberta. O Google também informou que continuará colaborando com as autoridades para esclarecer o caso.

Próximos passos

A investigação seguirá agora na Superintendência-Geral do Cade, que será responsável por aprofundar a análise técnica. O processo ainda não tem prazo definido para conclusão, mas pode resultar em medidas regulatórias ou penalidades caso sejam comprovadas práticas anticoncorrenciais.

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