Na coluna de hoje, quero destacar um anúncio que pode transformar profundamente a forma como fazemos compras online. Trata-se da parceria entre a Visa e a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. Juntas, elas estão abrindo caminho para uma nova fase do comércio digital: o chamado varejo agentic ou varejo baseado em agentes de inteligência artificial.
Mas o que isso significa na prática? Desde o surgimento do comércio eletrônico, no fim dos anos 1990, a jornada de compra mudou relativamente pouco. O consumidor acessa um site, pesquisa produtos, compara preços, escolhe uma opção, preenche informações de entrega e conclui o pagamento.
Ao longo dos anos, surgiram ferramentas que facilitaram esse processo, como comparadores de preço e marketplaces, caso do Mercado Livre. Mesmo assim, a responsabilidade por cada etapa da compra continuou sendo do usuário.
Agora, a inteligência artificial promete mudar esse cenário. Cada vez mais utilizamos a IA para executar tarefas em nosso lugar. É aí que entram os chamados agentes de IA: sistemas capazes de receber uma instrução e realizar uma sequência completa de ações de forma autônoma. Imagine uma versão muito mais avançada da Alexa ou da Siri, que não apenas responde a perguntas, mas também toma providências concretas e, inclusive, realiza compras.
O que faltava para isso se tornar realidade era justamente a camada de pagamento. A Visa já vinha sinalizando essa direção. No ano passado, a companhia afirmou que as transações entre agentes seriam uma de suas prioridades estratégicas. Recentemente, realizou uma demonstração envolvendo a Visa e o Banco do Brasil, na qual um agente digital iniciou uma compra e toda a operação foi concluída sem intervenção humana.
Com a entrada da OpenAI nessa equação, o potencial é ainda maior. No futuro próximo, o consumidor poderá simplesmente entrar no ChatGPT e fazer um pedido como: “preciso de um produto com estas características. Encontre a melhor opção considerando preço, qualidade e meu histórico de compras. Quando encontrar, me avise.”
A partir daí, a inteligência artificial poderá pesquisar, comparar alternativas, selecionar a melhor oferta, preencher dados de entrega, definir a forma de pagamento e cuidar de toda a burocracia da compra. O usuário precisaria apenas autorizar a transação final.
Em outras palavras, toda a parte operacional e os atritos do processo de compra passariam a ser administrados pela inteligência artificial. É uma mudança que pode representar uma das maiores transformações do varejo digital desde o surgimento do e-commerce, criando uma experiência muito mais automatizada, personalizada e eficiente para consumidores e empresas.
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