A Polícia Civil de São Paulo fechou na última quinta-feira (22/1) uma “central de golpes” que funcionava em um prédio comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Oeste da capital paulista.
A central criminosa tinha aproximadamente 100 funcionários que operavam mais de 400 computadores para aplicar fraudes. Doze pessoas foram detidas durante a ação policial.
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O grupo criminoso utilizava dados obtidos ilegalmente para contatar vítimas, especialmente idosos, alegando a recuperação de “créditos podres” e pressionando-as a pagar valores que não deviam. A central estava estrategicamente localizada em um dos principais centros financeiros do país para conferir aparência de legitimidade ao esquema.
A investigação da Polícia Civil revelou que o grupo enviava mensagens simulando ordens judiciais falsas e ameaças de bloqueio de CPF. Após o contato inicial, as vítimas eram direcionadas para atendimento telefônico, onde operadores intensificavam as ameaças.
Durante as ligações, os golpistas intimidavam as vítimas com protestos e bloqueios de bens e benefícios governamentais. Esse ambiente de medo levava as pessoas, principalmente idosos, a transferirem dinheiro para os falsos cobradores.
Um texto padronizado encontrado nos registros policiais demonstra como os criminosos abordavam as vítimas: “O motivo do contato é referente a uma liminar expedida junto ao TJA (Tribunal de Justiça Arbitral) no CPF [número do CPF] onde foi solicitado o bloqueio de contas e benefícios governamentais a partir das 14h”.
Segundo a investigação, os criminosos criaram uma rede de empresas para aplicar os golpes. Essas organizações compartilhavam sócios, endereços e dados operacionais, com algumas registradas em nome de laranjas.
No endereço da Avenida Brigadeiro Faria Lima funcionava uma empresa híbrida que mesclava cobranças legítimas com atividades fraudulentas, conforme informou o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A ação policial, denominada “Título Sombrio”, foi conduzida por agentes da 4ª Delegacia da DCCIBER, especializada em Investigações sobre Lavagem e Ocultação de Ativos Ilícitos por Meios Eletrônicos.
De acordo com o delegado-geral de Polícia de São Paulo, Artur Dian, além da central na Faria Lima, os policiais também realizaram diligências em uma base do grupo localizada em Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde outra unidade da fraude estava em funcionamento.
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