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Haddad se despede da Fazenda após 3 anos de reformas, embates e turbulências

Com a reforma tributária aprovada e polêmicas como a “taxa das blusinhas”, ministro sai do governo dividido entre números positivos e forte pressão política

Prestes a deixar o Ministério da Fazenda após três anos no comando, Fernando Haddad deixa uma marca difícil de ignorar: aprovou a maior reforma tributária em décadas, criou um novo regime fiscal, enfrentou o Banco Central, comprou brigas no Congresso — e virou personagem fixo de memes nas redes sociais.

O balanço da gestão mistura números positivos na economia com desgaste político constante. Se, de um lado, o PIB cresceu acima do esperado e o desemprego caiu a mínimas históricas, de outro, o ministro ficou conhecido por uma estratégia de ajuste baseada em aumento de arrecadação, o que alimentou críticas e apelidos.

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Logo no início do governo Lula 3, Haddad assumiu a missão de substituir o Teto de Gastos. No lugar, foi aprovado o Novo Arcabouço Fiscal, que limita o crescimento das despesas a até 70% do aumento das receitas, dentro de uma faixa pré-definida. A ideia era simples de explicar e difícil de executar: manter disciplina fiscal sem congelar investimentos e políticas sociais.

Em paralelo, veio o maior trunfo da gestão: a Reforma Tributária sobre o consumo. O novo sistema cria um IVA dual (CBS federal e IBS de estados e municípios), com transição até 2033. Economistas consideram a mudança histórica pela simplificação e redução de distorções. Foi a vitória institucional mais clara do ministro — e também a que ajudou a melhorar a avaliação do Brasil por agências de risco.

A “agenda arrecadatória” e o nascimento do “Taxad”

Se as reformas estruturais renderam elogios técnicos, o caminho escolhido para fechar as contas públicas virou munição política.

Haddad apostou fortemente na recomposição de receitas. Entre as medidas:

  • Taxação de fundos exclusivos e offshores;
  • Tributação das apostas esportivas;
  • Retomada do voto de qualidade no Carf;
  • Fim da isenção para compras internacionais de até US$ 50.

Foi nesse último ponto que surgiu o episódio mais explosivo da gestão: a chamada “taxa das blusinhas”. A medida previa imposto de 20% sobre compras internacionais de baixo valor. Embora defendida como correção de “concorrência desleal” com o varejo nacional, a decisão atingiu diretamente consumidores jovens e de renda média que compravam em sites asiáticos.

O impacto político foi imediato. Nas redes sociais, Haddad virou “Taxad”. Filmes, livros e marcas ganharam versões adaptadas, como “Taxa de Elite”, “Avatar: O Caminho do Imposto” e “Harry Potter e a Ordem do Tributo”.

Memes o retratavam como um vilão que “sentia o cheiro de consumo não tributado”. Outro viral mostrava uma versão tributária de “Edward Mãos de Tesoura” — não cortando gastos, mas o poder de compra. A onda de sátiras colou. Mesmo com explicações técnicas, o rótulo de ministro que “só cria imposto” se espalhou.

Briga com o Banco Central

Outro eixo de tensão foi a relação com o Banco Central. Durante o comando de Roberto Campos Neto, Haddad criticou publicamente o nível da taxa Selic, chamando os juros reais de “freio de mão puxado” na economia.

Embora adotasse um tom mais suave do que o de Lula, o ministro defendia que o esforço fiscal do governo precisava ser acompanhado por cortes mais rápidos na taxa básica. A troca de farpas marcou 2023 e 2024. A tensão diminuiu com a chegada de Gabriel Galípolo ao comando do BC, mas o debate sobre juros elevados continuou presente.

Para críticos, o embate arranhava a imagem de coordenação institucional. Para aliados, mostrava disputa legítima sobre o rumo da política econômica.

Números que ajudaram a blindar o ministro

Apesar das polêmicas, os indicadores macroeconômicos deram algum fôlego político:

  • PIB crescendo acima de 3% em dois anos;
  • Desemprego em torno de 5% no fim de 2025;
  • Inflação dentro ou próxima da meta;
  • Redução da pobreza e melhora na renda média.

O desempenho surpreendeu parte do mercado, que projetava crescimento mais fraco no início do governo. Ainda assim, a dívida pública seguiu elevada, pressionada por juros altos. Economistas alertam que, sem superávits maiores no futuro, a estabilização da dívida pode ser difícil.

Congresso, derrotas e “fogo amigo”

Haddad também enfrentou resistência no Congresso. A reoneração da folha de pagamentos, por exemplo, gerou embate com parlamentares e setores produtivos.

Dentro do próprio PT, o ministro foi criticado por adotar postura considerada “fiscalista demais”. Ele próprio ironizou ao dizer que apanhava de “amigo, inimigo e neutro”. A frase que resumiu sua situação política foi dita em entrevista ao podcast Flow:

“O mais fácil é resolver o problema na planilha; difícil é acertar o problema na política.”

Do desgaste à vitrine eleitoral

No terceiro ano de gestão, Haddad deixou de ser apenas o ministro técnico e voltou ao centro do tabuleiro eleitoral. Após resistir, sinalizou que pode disputar o governo de São Paulo a pedido do presidente Lula, tornando sua saída da Fazenda parte do xadrez político de 2026.

O movimento reforça sua posição como possível herdeiro político dentro do PT para os próximos ciclos eleitorais.

Leia mais: Lula fará reunião com Haddad e Alckmin para discutir eleição em SP na próxima semana

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