A soberania nacional voltou ao centro do debate público, mas, desta vez, envolta em uma névoa de contradições e retórica política. O ministro da Defesa, José Múcio, reacendeu a discussão sobre o investimento no poderio bélico brasileiro.
Em um mundo onde nações europeias reforçam seus equipamentos militares diante de novas tensões globais, surge a indagação: seria este o momento de o Brasil priorizar a expansão de suas forças armadas?
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No caso aqui do Brasil, me parece uma ideia um pouco assim estapafúrdia, no sentido de imaginar a possibilidade do Brasil investir um orçamento militar para ter poder de dissuasão sobre os Estados Unidos.
É uma pena que nos últimos tempos a diplomacia brasileira deu uma desandada ideológica já com Bolsonaro, a gente lembra daquela coisa da influência do Olavo de Carvalho no Itamarati e essas teorias conspiratórias que atravessava o governo do Bolsonaro.
Agora, nesse caso, o Lula e o seu ministro das relações diplomáticas tem essa tendência que eu às vezes chamo de querer fazer o papel do bobo da corte no cenário geopolítico, porque o Brasil, assim como a América Latina em geral, não tem um papel tão importante.
E, portanto, ao invés de falar disso, de investir um dinheiro para criar um poderio militar de dissuasão sobre Estados Unidos, que é uma coisa é meio ridícula, talvez fosse melhor investir militarmente para recuperar a soberania da Amazônia.
Sabemos que o estado quase não tem soberania na Amazônia, nas fronteiras. A Amazônia está tomada pelo crime. Portanto, acho que isso seria uma medida mais racional, mas o que está em questão não é uma proposta racional. O que está em questão é fazer barulho, bravata e dizer que vamos enfrentar o Trump. Isso é muito triste para nós.