O Itamaraty revogou o visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assuntos relacionados ao Brasil. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (13/03). Beattie planejava viajar ao país na próxima semana.
O governo brasileiro aplicou o princípio de revogação de vistos adotado internacionalmente, inclusive pelos Estados Unidos. A medida ocorreu após uma sequência de eventos envolvendo um pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Contexto da revogação
A revogação está diretamente relacionada ao cancelamento de vistos de familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelos Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu uma condição para a entrada de Beattie no território brasileiro.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou.
Os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de Alexandre Padilha em agosto de 2025. A filha do ministro tem 10 anos. O visto do próprio ministro não foi cancelado porque já estava vencido na ocasião.
Pedido de visita a Bolsonaro
O assessor norte-americano havia planejado encontrar-se com Bolsonaro na Papudinha, unidade prisional em Brasília onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou autorização para esse encontro.
A defesa de Bolsonaro enviou o pedido de visita a Alexandre de Moraes na terça-feira (10/03). A solicitação pedia autorização para o encontro na segunda-feira (16/03) ou na terça-feira (17/03), alegando motivos de agenda do norte-americano.
Moraes inicialmente autorizou a visita para quarta-feira (18/03). No dia seguinte ao primeiro pedido, a defesa solicitou reconsideração da data, novamente citando questões de agenda.
O ex-presidente foi internado nesta sexta-feira (13/03) no Hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia. Ele está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Posição do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores foi consultado por Moraes sobre a agenda diplomática do assessor de Trump no Brasil. Em resposta, o Itamaraty afirmou que a reunião de um assessor de Trump com o ex-presidente Jair Bolsonaro “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Após essa manifestação do Itamaraty, Moraes retirou a autorização para o encontro entre Bolsonaro e Beattie.
O Itamaraty convocou o encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, ainda na terça-feira (10/03) para prestar esclarecimentos sobre a vinda de Beattie ao Brasil.
Beattie foi recebido na terça-feira (11/03) pelo embaixador Roberto Abdalla, Secretário de Europa e América do Norte do Itamaraty.
Como o Itamaraty soube da viagem
Diplomatas informam que o Itamaraty tomou conhecimento da viagem do norte-americano pela imprensa, após a divulgação de que a defesa de Bolsonaro pediu para ele receber uma visita de Beattie na prisão. Como não havia sido informado previamente, o ministério chamou o representante diplomático.
Durante a conversa, o representante diplomático explicou que o principal motivo da viagem de Beattie seria a participação em um fórum sobre terras raras.
Fontes ligadas ao governo norte-americano afirmam que, apesar da presença confirmada no evento sobre terras raras, Beattie pretendia priorizar a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes do ministro Alexandre de Moraes rever a decisão e vetar o encontro.
A decisão de Moraes de recuar sobre a visita acabou frustrando os planos do assessor de Trump. Ainda assim, a previsão era que a viagem ao Brasil fosse mantida.
Beattie iria se encontrar com o filho de Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).




