Em um dia de forte tensão política em Brasília, o plenário do Senado Federal impôs um revés significativo ao Palácio do Planalto nesta quarta-feira (29/04). Pela primeira vez na história da Nova República, uma indicação presidencial para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi barrada pelos senadores. Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, obteve apenas 34 votos, sete a menos do que o mínimo necessário para a aprovação.
O anúncio do resultado ecoou rapidamente nos corredores do Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, Kim Kataguiri (União-SP) interrompeu sua fala durante a sessão deliberativa para celebrar a notícia. Em tom de deboche e “tripúdio”, o parlamentar não poupou críticas à trajetória do indicado.
“Mero carregador de pastas”
Da tribuna, Kataguiri relembrou o episódio que tornou Messias nacionalmente conhecido em 2016, quando um áudio revelou o então subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil levando um termo de posse para Luiz Inácio Lula da Silva.
“Aquele que era um mero carregador de pastas da Dilma, o ‘Bessias’ do áudio, acaba de ter sua incompetência jurídica e sua suspeição reconhecidas pelo Senado”, afirmou o deputado. Kataguiri ainda classificou a derrota como uma “humilhação” para o presidente Lula, destacando que o Senado “parece ter acordado” após as aprovações anteriores de Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Revés político e próximos passos
A rejeição de Jorge Messias expõe a fragilidade da articulação política do governo no Senado. Embora tenha passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o nome enfrentou resistência ferrenha da oposição e de setores do centro, que questionavam o alinhamento ideológico do AGU com a agenda do Executivo.
Com o veto dos senadores, o processo de nomeação de Messias é oficialmente encerrado. O presidente Lula terá agora o desafio de indicar um novo nome para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso. O novo indicado precisará ser submetido a todo o rito institucional: nova sabatina na CCJ e votação secreta no plenário do Senado.
A oposição, liderada por figuras como Kataguiri, já sinaliza que manterá a pressão para que o próximo escolhido tenha um perfil técnico e independente, prometendo novas batalhas políticas no Legislativo.
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