Jamil Chade
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Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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Trump quer fazer em Cuba o que fez na Venezuela, mas Cuba não é a Venezuela

Cuba tem uma estrutura de poder bastante diferente, principalmente por conta do tempo que ela já existe, desde o final dos anos 50

Por Jamil Chade | Atualizado em
Apagão em Cuba em março de 2026
Norlys Perez/Reuters

Ontem nós tivemos Donald Trump sendo muito vocal, dizendo que seria uma honra assumir Cuba. Essas declarações, na maioria das vezes, são bombásticas, mas é importante que a gente vá além dessas declarações, do declaratório de Donald Trump.

Temos informações que o governo cubano está em diálogo com os Estados Unidos e por si só isso já é muito importante. Qual é a negociação? Uma negociação que se assemelha muito ao que nós vimos na Venezuela. E o que querem os norte-americanos? Em primeiro lugar, que o atual presidente Díaz-Canel saia do poder. Esse é o primeiro aspecto. Isso daria uma uma espécie de vitória a Donald Trump.

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Ele poderia chegar no seu eleitorado latino e dizer: “Olha só, derrubei o presidente de Cuba.” O governo norte-americano sabe que invadir ou tomar a ilha seria algo muito mais complicado do que simplesmente dar o presidente. E aí, qual estrutura que está sendo proposta? A gente mantém alguns dos principais elementos do regime castrista dos últimos 50 anos ainda válidos e os próximos passos depois a gente vê.

Já vimos essa história muito parecida com a Venezuela. Vamos primeiro derrubar Nicolás Maduro, vamos estabelecer um controle econômico, porque isso sim está na proposta para Cuba. O governo norte-americano criaria uma espécie de protetorado econômico em Cuba. E depois a questão de quem vai liderar, de que forma essa eleição vai acontecer. Isso a gente deixa para depois, inclusive para não causar um caos ou um vácuo político dentro da ilha.

O modelo é muito parecido ao da Venezuela. A questão é que muitos já alertam que Cuba não é a Venezuela. Cuba tem obviamente uma estrutura bastante diferente, principalmente por conta, claro, do tempo que esse essa essa estrutura de poder já existe, desde o final dos anos 50.

Então é um desafio muito grande. Agora também é um desafio muito grande o que vive a população cubana. Ontem tivemos a informação confirmada, inclusive falei com pessoas que estavam em Havana, de mais um apagão generalizado, que afetou a ilha inteira. Isso quer dizer, os 11 milhões de habitantes, basicamente.

E o próprio Ministério de Minas e Energias da ilha de Cuba, basicamente do governo cubano, anunciou que o sistema elétrico estava desconectado. Isso é extremamente grave. Isso deixa a ilha absolutamente vulnerável a qualquer tipo de operação militar. E do ponto de vista dos Estados Unidos, até da população americana, Cuba mexe com o imaginário de uma maneira totalmente diferente por causa dos dissidentes, por causa dessas décadas de embargo, de inimizade entre os dois países, da Guerra Fria e tudo mais.

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