O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (25/03) em alta de 1,60%, aos 185.424,28 pontos, acumulando um ganho de 2.915,14 pontos. O mercado brasileiro viveu um dia de forte recuperação, impulsionado pela esperança de uma resolução para o conflito no Oriente Médio e por sinalizações políticas domésticas que agradaram os investidores.
O índice consolidou sua posição acima dos 185 mil pontos, acompanhando o tom positivo das principais bolsas globais.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
O principal motor do rali foi a mudança de percepção sobre a guerra. Após desmentidos no início da semana, novas sinalizações do governo americano indicam que as conversas para apaziguar a região estão avançando. Esse cenário provocou uma queda no preço do petróleo, com o Brent voltando a operar abaixo dos US$ 100, o que alivia as pressões inflacionárias globais e reduz o custo logístico para as empresas brasileiras.
Para Alison Correia, analista e co-fundador da Dom Investimentos, os mercados estão “animando antecipadamente” com a possibilidade de uma pacificação. “O Trump é o maior interessado que isso acabe logo porque está ficando muito caro e ele está em um dilema. Se ele encerra agora com a interferência do Irã no Estreito de Ormuz, seria uma derrota política, mas o custo bilionário e as baixas militares impactam negativamente a inflação e os cofres norte-americanos“, avalia Correia.
Ele destaca que, enquanto Washington indica disposição para reduzir a intensidade dos ataques, o apetite por risco retorna.
Política nacional e setores em destaque
No plano interno, o mercado repercutiu dados de uma nova pesquisa apontando que a desaprovação do governo Lula ultrapassou 60%, o maior nível registrado. Segundo Correia, esse cenário fortalece nomes da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, o que é visto com bons olhos por boa parte do setor financeiro.
Esse ambiente político, somado à queda dos juros futuros (DIs), impulsionou as ações de consumo e varejo, com destaque para MRV, Cyrela, C&A e Assaí.
Na contramão, as empresas ligadas diretamente à commodity sofreram com o alívio geopolítico. A PRIO3 registrou queda acompanhando a baixa do petróleo, enquanto a Braskem passou por uma correção técnica após as fortes altas do pregão anterior. O movimento do índice hoje foi caracterizado por uma rotação de carteira: investidores saíram de ativos de proteção e “teses de guerra” para buscar valor em empresas sensíveis à atividade doméstica.
Dólar fecha em queda
O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,65%, cotado a R$ 5,220. A moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,205 e a máxima de R$ 5,248, refletindo um equilíbrio entre o otimismo diplomático e a cautela técnica.
O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, define o comportamento da divisa como de “baixa convicção”. “A expectativa de um possível cessar-fogo chegou a melhorar o apetite por risco, levando à queda do petróleo e ao recuo dos rendimentos dos Treasuries. Por outro lado, informações contraditórias sobre as negociações limitaram um movimento mais direcional”, explica Shahini.
Para ele, a estabilidade próxima aos R$ 5,20 é mais técnica do que estrutural, já que o cenário externo ainda carece de confirmações concretas sobre o fim das hostilidades.
Leia mais: Tensão entre EUA e Irã provoca volatilidade nos mercados




