Matt Brittin, novo diretor geral da BBC, vai ter muitos desafios pela frente no comando da TV pública mais importante do mundo. O britânico é ex-presidente de operações do Google na Europa, Oriente Médio e África e assume o posto no dia 18 de maio.
Ele vai substituir Tim Davie, que renunciou em novembro depois daquela polêmica sobre a edição de um discurso de Donald Trump que foi ao ar no programa Panorama, um programa de documentários da BBC.
Trump está processando a emissora, pede 10 bilhões de dólares por difamação, pela forma como o programa editou o seu discurso, dando a entender que ele havia incentivado os seus apoiadores a invadirem o Capitólio naquele 6 de janeiro de 2021. O processo está em curso na Flórida, nos Estados Unidos, e acusa a BBC de manipular intencionalmente e de forma maliciosa o discurso dele.
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A BBC já pediu desculpas e recentemente pediu ao tribunal que rejeitasse o processo, alegando que o episódio nunca foi ao ar nos Estados Unidos, mas por enquanto existe uma data proposta para o julgamento ao longo do ano de 2027.
Essa é uma das prioridades de Brittin, a gestão desse processo bilionário. Mas ele também vai ter que negociar com o governo britânico a renovação do regulamento da BBC, que é aquele livro de regras que estabelece os termos, os propósitos da existência da emissora e que expira no final do ano que vem.
Brittin também vai ter que tomar decisões sobre a reforma do modelo de financiamento da BBC, que a gente lembra que hoje como uma TV pública, ela sobrevive graças ao pagamento de uma licença, uma taxa que todos nós que moramos aqui no Reino Unido e assistimos TV pagamos. O antecessor dele se opôs a um modelo financiado por assinaturas ou anúncios.
Um outro ponto, e que é um desafio de todas as emissoras tradicionais, é a ascensão da internet do YouTube. O YouTube foi o segundo serviço de mídia mais assistido do Reino Unido no ano passado, só atrás da BBC. Então o fato de que ele vem do mundo das bigtechs pode ser um bônus. Ao mesmo tempo, ele vai ter que trazer as pessoas certas pro seu lado e formar bem a sua equipe, porque ele é um diretor geral sem experiência editorial.
Então ele vai precisar, por exemplo, de um novo chefe ou uma nova chefe para BBC News, porque a antecessora também renunciou por causa do caso Trump. Ou seja, esses são alguns dos desafios que o próximo diretor da geral da BBC tem para manter a credibilidade, que é enorme desse patrimônio britânico que é a emissora.