Governo cria subsídio ao diesel importado para conter inflação e evitar efeito cascata

Medida temporária tenta reduzir pressão sobre alimentos, transporte e serviços diante da alta internacional do petróleo

Por Redação TMC | Atualizado em
Funcionário da Petrobras deposita petróleo num recipiente
(Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras)

Com foco direto na contenção da inflação, o governo federal, em parceria com pelo menos 21 estados, anunciou a criação de um subsídio financeiro voltado exclusivamente ao diesel importado. A iniciativa tem como principal objetivo evitar um efeito cascata nos preços de setores essenciais da economia, como transporte, logística e abastecimento de alimentos.

Em entrevista para TMC, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Gouveia, acredita que mesmo com a medida, os impactos da alta do diesel devem continuar sendo sentidos em toda a economia, já que o combustível é a base da logística nacional.

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“Ele [povo] vai sentir em tudo, porque o nosso transporte 80% é feito através do diesel, com caminhões. Então ele vai sentir no medicamento, na alimentação, vai sentir em tudo, porque tudo vai subir em torno do diesel. Então vamos ter uma inflação que não vai ter como fugir”, explicou.

Segundo o governo, a preocupação vai além do preço nas bombas. O diesel é um insumo estratégico para diversas atividades, e sua alta pode impactar diretamente o transporte de alimentos em todo o território nacional e também as tarifas de transporte público urbano e intermunicipal.

Além disso, o aumento no custo do combustível afeta o escoamento de produtos industrializados e a prestação de serviços logísticos em geral, pressionando diferentes setores da economia e contribuindo para a elevação dos preços ao consumidor final.

A medida, válida até maio, surge em resposta à recente disparada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse cenário tem gerado incertezas sobre custos e prazos de entrega, afetando diretamente países dependentes de importação — como o Brasil, onde cerca de 30% do diesel consumido vem do exterior.

Além disso, ele explica que o repasse ao consumidor não será imediato, pois depende da chegada do produto importado já sob as novas condições. “Todos os postos, como as próprias distribuidoras, vão esperar primeiro chegar o diesel importado já com essa medida, para depois repassar para o posto e depois do posto para o consumidor”, esclarece Gouveia, que avalia que o impacto direto no bolso do consumidor tende a ser menor do que o anunciado pelo governo, o que pode gerar frustração se não houver comunicação clara.

“Se não houver essa medida de desconto, não tem como baixar o preço mais. O preço que tinha que ser repassado foi repassado pelas distribuidoras e pelo próprio governo. Foi em torno de R$ 1,30. Agora nós vamos ter uma baixa por causa desse diesel importado sem recolher o ICMS, que deve dar um repasse para o consumidor em torno de uns R$ 0,30, R$ 0,34. O que nos preocupa muito é que o governo fala em R$ 1,20, o consumidor acha que vai ser R$ 1,20. Isso não existe, não tem isso. Então falta explicação do governo para que evite um atrito com a população”, concluiu.

  • Por Lucas Escórcio

Leia mais: Governo federal e estados anunciam subvenção de R$ 1,20 por litro para diesel importado

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