Exclusivo: Temendo reprovação de Messias, Lula aceita projeto que reduz pena de Bolsonaro

Mesmo contrariados, aliados de Lula tiveram que prometer que não vão atrapalhar a análise do veto ao PL da Dosimetria

Por Igor Damasceno | Atualizado em
Lula e Bolsonaro
(Foto: Ricardo Stuckert / PR e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O governo Lula colocou na balança qual vexame pesa mais: a reprovação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal — algo que só aconteceu em 1894 — ou a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, que já é esperada pelo Planalto. A reprovação pesou mais.

Segundo fontes revelaram com exclusividade à TMC no Palácio do Planalto, aliados políticos do presidente Lula divergem sobre as últimas movimentações envolvendo a indicação de Jorge Messias ao STF e a análise dos vetos da dosimetria. Para viabilizar a confirmação do atual Advogado-Geral da União para a cadeira deixada pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso, a base aliada ao governo teria sido orientada a diminuir a resistência ao PL da Dosimetria.

O projeto de lei foi aprovado no Congresso Nacional, mas vetado pelo presidente Lula. Segundo ele, o governo não concorda com a redução de pena para quem atentou contra a democracia. O ex-presidente Jair Bolsonaro, principal adversário político de Lula, seria um dos beneficiados.

O problema é que Lula enfrenta resistência quanto à escolha para a vaga que está desocupada na Suprema Corte. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não concordou com a indicação e demorou quatro meses para colocar o tema em pauta. A escolha foi a principal responsável pelo afastamento entre Alcolumbre e o presidente.

Messias será sabatinado no dia 29 de abril, com grandes chances de ser aprovado. No entanto, para chegar a essa expectativa, aliados de Lula tiveram que prometer que não vão atrapalhar a análise do veto ao PL da Dosimetria. Nos bastidores, comenta-se que alguns aliados do governo não concordaram com isso, pois temem que os eleitores se sintam traídos.

A regra passada pelo Planalto é clara: os aliados não serão a favor da derrubada, mas também não devem atrapalhar os trabalhos. A reprovação pesou mais e, por isso, o acordo foi firmado.

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