Sob tensão, negociações entre Irã e EUA continuam neste domingo (12/04); Ormuz é principal impasse

Delegações mantêm diálogo direto após décadas, mas divergências sobre o controle e a reabertura do Estreito de Ormuz seguem como principal obstáculo para um acordo

Por Redação TMC | Atualizado em
O vice-presidente JD Vance se reúne com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, para discutir o Irã. Encontro contou com representantes do governo iraniano (Foto: Jacquelyn Martin/Reuters)

Negociadores norte-americanos e iranianos realizaram neste sábado (11/04) as conversas de mais alto nível em meio século no Paquistão, para tentar encerrar a guerra de seis semanas, enquanto o presidente Donald Trump anunciou que seus militares estavam iniciando o processo de desobstrução do Estreito de Ormuz. As conversas em Islamabad foram o primeiro encontro direto entre os EUA e o Irã em mais de uma década e as discussões de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979.

O Estreito de Ormuz, um importante ponto de trânsito para suprimentos globais de energia que o Irã bloqueou — e Trump prometeu reabrir —, é crucial para as negociações entre os dois lados durante um cessar-fogo de duas semanas acordado na semana passada. A agência de notícias semioficial do Irã, Tasnim, disse que a hidrovia continua entre os principais pontos de “discordância grave” nas negociações entre as delegações iranianas e norte-americanas em Islamabad.

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As forças armadas dos EUA disseram que dois de seus navios de guerra passaram pelo estreito e que as condições estavam sendo estabelecidas para remover as minas, enquanto a mídia estatal do Irã negou que qualquer navio dos EUA tenha transitado pela hidrovia.

Estamos agora iniciando o processo de desobstrução do Estreito de Ormuz como um favor aos países de todo o mundo“, publicou Trump nas redes sociais.

Leia mais: EUA iniciam varredura para remover minas do Irã no Estreito de Ormuz

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, chegaram de avião neste sábado e se reuniram com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, por duas horas antes de uma pausa, de acordo com uma fonte do Paquistão, mediador das conversas.

A delegação iraniana desembarcou na sexta-feira, vestida de preto em luto pelo ex-líder supremo Ayatollah Ali Khamenei e outros mortos na guerra. Eles carregavam sapatos e bolsas de alguns estudantes mortos durante o bombardeio dos EUA a uma escola próxima a um complexo militar, disse o governo iraniano.

Houve mudanças de humor dos dois lados e a temperatura subiu e desceu durante a reunião“, disse outra fonte paquistanesa, referindo-se à primeira rodada de conversas com o objetivo de pôr fim ao conflito de seis semanas.

A agência estatal iraniana Nournews disse que as negociações devem ser retomadas neste domingo (12/04).

O papa Leão, em um apelo veemente neste sábado, pediu aos líderes mundiais que acabassem com o que ele chamou de “loucura da guerra“.

Demandas diferentes

A guerra fez com que os preços globais do petróleo disparassem, matou milhares de pessoas e levou a ataques aos Estados árabes do Golfo.

Antes do início das negociações, uma fonte sênior iraniana disse à Reuters que os EUA haviam concordado em liberar ativos congelados no Catar e em outros bancos estrangeiros. Mas uma autoridade dos EUA negou a informação.

Além da liberação de ativos no exterior, Teerã exige o controle do Estreito de Ormuz, o pagamento de reparações de guerra e um cessar-fogo em toda a região, inclusive no Líbano, de acordo com a TV estatal iraniana e autoridades.

As metas declaradas por Trump variaram durante a campanha, mas, no mínimo, ele quer a passagem livre para a navegação global pelo estreito e a paralisação do programa de enriquecimento nuclear do Irã para garantir que ele não possa produzir uma bomba atômica.

Israel, aliado dos EUA, que se juntou aos ataques de 28 de fevereiro contra o Irã, também tem bombardeado militantes do Hezbollah apoiados por Teerã no Líbano e diz que esse conflito não faz parte do cessar-fogo entre Irã e EUA.

A desconfiança mútua é grande.

Negociaremos com o dedo no gatilho“, disse a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, na TV estatal. “Embora estejamos abertos a conversas, também estamos plenamente conscientes da falta de confiança; portanto, a equipe diplomática do Irã está entrando nesse processo com o máximo de cautela.

A agenda de Teerã inclui o objetivo de cobrar taxas de trânsito no Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito.

A maior interrupção de todos os tempos na passagem alimentou a inflação e desacelerou a economia global, com um impacto que deve durar meses, mesmo que os negociadores consigam reabrir o estreito.

No entanto, três superpetroleiros com bandeira da Libéria e da China passaram pelo estreito neste sábado, segundo dados de navegação, marcando o que parecem ser as primeiras embarcações a sair do Golfo desde o cessar-fogo.

  • Por Reuters
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