Dois dos nomes mais conhecidos entre os MCs brasileiros foram presos nesta quarta-feira (15/04). MC Ryan SP e Poze do Rodo são conhecidos pela ostentação de bens de luxo nas redes sociais, pela ligação com grandes personalidades e por acusações.
A operação que prendeu os dois cantores foi realizada pela Polícia Federal, em uma investigação de um esquema de lavagem de dinheiro com movimentação superior a R$ 1,6 bilhão. O influenciador Chrys Dias também é alvo da investigação.
MC Ryan
MC Ryan SP é um dos principais nomes do funk paulista. Natural de São Paulo, o artista ficou conhecido por hits como “Quem Manda é Nós” e “Vida Loka Também Ama”. Ele também acumula milhões de seguidores nas redes sociais.
Só nos últimos anos, ele foi preso após realizar manobras com uma Lamborghini no gramado do Estádio Barão da Serra Negra, em Piracicaba. Ele também já teve vídeos de agressão contra uma ex-namorada divulgados na internet, foi abordado por policiais por dirigir alcoolizado e visitou a mansão em construção do jogador Cristiano Ronaldo.
Poze do Rodo
Poze do Rodo ganhou notoriedade no cenário do funk carioca no fim da década de 2010. Entre as músicas mais conhecidas estão “Diz aí qual é o plano?”, “Me sinto abençoado” e “A cara do crime”. O artista tem mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais.
Nascido na Comunidade do Rodo, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, o funkeiro trabalhou para o tráfico de drogas na adolescência. Ele afirmou, em entrevista, que busca mostrar aos jovens que o crime não oferece futuro. “Já troquei tiro, fui baleado e preso também”, declarou.
O cantor Poze do Rodo ostenta um estilo de vida exuberante. Cada show custa, em média, R$ 200 mil. Ele realiza aproximadamente cinco apresentações por semana.
Entre seus bens estão veículos das marcas BMW X6, Land Rover e Honda. Suas joias de ouro chegam a pesar dois quilos e são avaliadas em até R$ 2 milhões. O artista mora em uma mansão na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.
Assalto
Na madrugada de 31 de março de 2026, o cantor afirmou que foi vítima de um assalto em que ficou refém dos criminosos. Segundo relato à polícia, o funkeiro assistia TV com amigos por volta das 2h30, quando os criminosos entraram. Todos foram rendidos, amarrados e agredidos durante cerca de 40 minutos.
Os ladrões fugiram levando R$ 15 mil em dinheiro, além de joias, celulares, relógios, roupas e perfumes. O prejuízo total foi estimado em R$ 2 milhões. A polícia investiga o caso, mas ainda não há informações sobre prisões relacionadas ao assalto.
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos (SP). As ações ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Operação da PF
A investigação que prendeu os dois cantores aponta que o grupo utilizava um sistema estruturado para ocultar recursos de origem suspeita. O esquema envolvia empresas, terceiros e transações com criptoativos.
As apurações indicam operações financeiras de alto valor e circulação de dinheiro em espécie. As movimentações foram realizadas no Brasil e no exterior, incluindo o transporte de grandes quantias em dinheiro vivo.
A Justiça determinou o bloqueio de bens e restrições a empresas ligadas aos investigados. O objetivo é interromper o fluxo financeiro e preservar valores.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. O material deve aprofundar a investigação.
A Polícia Federal não detalhou o papel específico de cada alvo na apuração. Os envolvidos poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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Defesas se manifestam
Em nota, o advogado de MC Ryan afirma que ainda não teve acesso aos procedimentos. “Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”, disse Felipe Cassimiro Melo de Oliveira.
Em outro comunicado, a defesa de Poze do Rodo (Marlon Brendon Coelho Couto da Silva) também afirmou desconhecer os autos. “A defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.”




