Nos corredores do Congresso Nacional, a avaliação é que Lula ativou o modo pré-campanha e quer recuperar o popularidade perdida ao longo dos últimos meses. Para isso, quer ganhar o protagonismo sobre a redução da jornada de trabalho.
O governo enviou ao Congresso Nacional na quarta-feira o Projeto de Lei que reduz a carga horários dos trabalhadores para 40h semanais sem redução salarial. O texto tem urgência constitucional, significa que Câmara e Senado terão 90 dias ao todo para apreciar a matéria. Caso contrario, as demais pautas serão travadas.
O problema é que já há um texto com a mesma temática tramitando na Câmara. Trata-se de uma PEC de autoria da deputada federal Érika Hilton (PSOL-RJ). A justificativa do governo é que o tema exige pressa e o rito da PEC é mais lento (porque precisa de aprovação em dois turnos com maioria absoluta de votos).
No entanto, parlamentares ouvidos pela TMC afirmam que Lula enviou o PL não só para dar celeridade na proposta, mas também para dar a canetada final sobre o tema. É que a PEC, uma vez aprovada, será promulgada apor Davi Alcolumbre, sendo ele quem vai dar a assinatura final. Se for um Projeto de Lei, a matéria vai à sanção e Lula vai ser o último a assinar o texto antes de entrar em vigor. Além disso, fontes afirmam que com a sanção Lula prepara um grande evento com direito à presença de centrais sindicais e parlamentares.
A mensagem é clara: ao ser o último a assinar e promover uma festança para sancionar o texto, Lula quer dizer ao eleitor que foi ele quem reduziu a jornada de trabalho, dando qualidade de vida ao trabalhador. O tom eleitoreiro sobre o tema é porque o presidente perdeu popularidade nos últimos meses. Pesquisas apontam que o principal opositor, Flávio Bolsonaro, já o venceria no segundo turno. Lula sabe que a redução de jornada de trabalho é um tema popular e vê nesse contexto uma chance de recuperar o eleitor perdido ou indeciso.
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