O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) informou à Polícia Federal que Alexandre Ramagem poderá permanecer em liberdade no território norte-americano durante a tramitação do pedido de asilo. A comunicação foi feita nesta quinta-feira (16/04) em reunião entre autoridades brasileiras e norte-americanas. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) havia sido detido na segunda-feira (13/04) em Orlando, na Flórida.
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Fontes da Polícia Federal confirmaram que a mensagem do órgão de imigração norte-americano foi transmitida no encontro realizado nos Estados Unidos. A reunião já estava agendada antes da liberação de Ramagem.
O governo brasileiro pretendia discutir o caso e buscar formas de evitar a soltura do ex-parlamentar. O encontro aconteceu após a liberação já ter sido concretizada.
Ramagem foi detido na segunda-feira (13/04) em Orlando por questões migratórias. No mesmo dia, foi transferido para um centro de detenção no Condado de Orange, também na Flórida. Durante o período de detenção, ficou em cela separada.
Na quarta-feira (15/04), o nome dele deixou de constar na lista de detidos do centro e no sistema do Serviço de Imigração dos Estados Unidos. A polícia local informou à TV Globo que a liberação ocorreu às 14h52 no horário da Flórida, correspondendo às 15h52 no horário de Brasília.
O governo federal brasileiro mantinha a expectativa de que Ramagem permanecesse detido durante as negociações sobre uma possível transferência dele para o Brasil. O ex-deputado federal está foragido no país.
Condenação e fuga do Brasil
Alexandre Ramagem recebeu condenação de 16 anos de prisão no caso da trama golpista. Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, ele utilizou a Abin como instrumento na tentativa de facilitar o golpe. A instrumentalização do órgão de inteligência teria como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Autoridades brasileiras iniciaram a elaboração de um relatório com informações e documentos para acelerar o processo de deportação de Ramagem. O material seria entregue ao Enforcement and Removal Operations, divisão da polícia norte-americana responsável por realizar prisões de indivíduos que violam as leis de imigração dos Estados Unidos.
A colaboração entre as autoridades dos dois países também visa impedir a concessão de asilo político. A Polícia Federal informou que Ramagem deixou o território nacional em setembro de 2025 pelo estado de Roraima.
Segundo as autoridades, ele atravessou a fronteira terrestre de forma clandestina, entrando na Guiana de carro. O trajeto seguiu até Georgetown, capital do país vizinho. De lá, embarcou em voo com destino aos Estados Unidos.
Investigadores da Polícia Federal estão preparando um documento com informações sobre a saída irregular de Ramagem do Brasil. O material deve destacar que a ação em 2025 contou com apoio de uma organização criminosa envolvida com garimpo ilegal.
Declarações sobre a liberação
Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (16/04), Ramagem afirmou que sua liberação foi administrativa, sem necessidade de pleito ou procedimento judicial. “Não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios”, declarou.
O ex-deputado federal agradeceu ao governo norte-americano pela liberação da prisão. “Eu venho agradecer ao governo norte americano, da mais alta cúpula da administração Trump”, declarou Ramagem.
Ele também forneceu detalhes sobre sua entrada nos Estados Unidos e o processo de solicitação de asilo. Segundo o ex-parlamentar, sua entrada no território norte-americano ocorreu em setembro do ano passado de forma regular.
“Eu entrei nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma. Em seguida entramos com o pedido de asilo […] Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos e fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos”, afirmou Ramagem.
Investigadores da Polícia Federal afirmaram que não há necessidade de pedido específico de deportação. “Não há necessidade de pedido específico de deportação. No nosso entendimento, caso os argumentos sejam aceitos [contidos no documento], a deportação é automática”, afirmaram os investigadores.
O documento em elaboração reúne dados sobre as circunstâncias da saída de Ramagem do país. O material também contém informações sobre as conexões com atividades criminosas que teriam facilitado a travessia clandestina pela fronteira com a Guiana.
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