Lula diz que aceitará resultado se Flávio Bolsonaro vencer eleição presidencial

Presidente afirma em entrevista à revista alemã “Der Spiegel” que respeitará decisão do eleitorado, mesmo com senador liderando pesquisas

Por Redação TMC | Atualizado em
Lula gesticula enquanto fala ao microfone
(Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que respeitará a vontade popular caso o senador Flávio Bolsonaro seja eleito presidente do Brasil. A declaração foi dada em entrevista à revista alemã “Der Spiegel”. Pesquisas recentes mostraram pela primeira vez o senador à frente do petista em simulação de segundo turno.

Questionado sobre a liderança de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, em levantamentos eleitorais, Lula manifestou respeito pela decisão do eleitorado. “Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado. Eu nunca teria imaginado que um metalúrgico, que já foi líder sindical como eu, fosse eleito três vezes para a presidência. Mas aqui estou eu!”, declarou.

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O petista evitou confirmar se será candidato à reeleição. Quando perguntado sobre sua candidatura, respondeu que “depende”. Lula afirmou que a decisão será tomada em convenção partidária. “Haverá uma convenção partidária na qual meu partido discutirá os principais nomes. Estou me preparando para isso. Minha cabeça e meu corpo estão 100% em forma. Quero chegar aos 120 anos!”, disse.

A entrevista ocorre em contexto no qual Lula, aos 80 anos, enfrenta questionamentos sobre sua disposição para concorrer novamente. As eleições presidenciais estão previstas para outubro de 2026.

Críticas ao autoritarismo e defesa da democracia

O presidente brasileiro defendeu a permanência da democracia no país. “O Brasil continuará sendo um país democrático no futuro. Além disso: vamos vencer esta eleição e garantir que nossa democracia se torne ainda mais estável. Aqui não há espaço para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia. Essa ideologia de direita que governa o mundo não tem futuro. Em vez de ideias, ela apenas espalha ódio e mentiras”, afirmou Lula.

O petista também defendeu o fortalecimento da Organização das Nações Unidas. Criticou países que utilizam poder econômico, militar e tecnológico “para ditar as relações internacionais”. Lula defendeu que a África e o Oriente Médio tenham assento no Conselho de Segurança da ONU. O presidente questionou por que Brasil e Alemanha não poderiam integrar o órgão.

Lula relatou ter conversado com os presidentes Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; e Emmanuel Macron, da França. O presidente brasileiro propôs que convocassem uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para que o presidente americano Donald Trump se reunisse com outros líderes para discutir conflitos em curso. Lula mencionou ter conversado com seus “amigos” Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron sobre a convocação.

Sobre a recusa dos líderes em aceitar sua proposta de reunião, o presidente brasileiro afirmou: “Ninguém aceitou a proposta. É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”.

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Críticas a Trump e gastos militares

Lula criticou o presidente americano Donald Trump. “Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando os outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar esse mundo em ordem; ele está prestes a se transformar em um único campo de batalha. No ano passado, foram gastos 2,7 trilhões de dólares em armas e nas forças armadas. Esse dinheiro poderia ser melhor empregado no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina”, declarou.

O presidente brasileiro defendeu que o secretário-geral da ONU, António Guterres, convoque uma Assembleia Geral Extraordinária para que líderes mundiais prestem contas sobre conflitos armados. A iniciativa de Lula ocorreu em meio às preocupações com os efeitos inflacionários provocados por guerras em diferentes regiões do planeta, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia, país invadido pela Rússia.

Lula criticou a possibilidade de novos conflitos e seus efeitos sobre países pobres. “Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e quem acabe pagando a conta dessa guerra sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras. O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária para que Trump, Putin e os outros prestem contas”, afirmou.

O presidente manifestou preocupação com a possibilidade de novos conflitos armados e seus impactos sobre populações vulneráveis. O petista também comentou sobre intervenções e ameaças do governo americano a países da América Latina, como Venezuela e Cuba.

Lula minimizou a declaração de Trump de que os dois tiveram “química” ao se encontrarem. “Sou o representante máximo da minha nação, não confundo isso com minhas convicções ideológicas.” “O mesmo vale para Trump: ele é um chefe de Estado, o povo americano o elegeu. Respeito isso – assim como espero que ele respeite a escolha do povo brasileiro. Portanto, vamos negociar com base nos interesses de nossas nações”, declarou Lula.

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