Os Correios divulgaram o balanço financeiro de 2025 com um déficit de R$ 8,5 bilhões. Com o resultado, a empresa completou 14 trimestres consecutivos apresentando resultados negativos, ou seja, são praticamente três anos e meio com um rombo nas contas da estatal. A série de perdas teve início no quarto trimestre de 2022. Desde então, a companhia não registrou resultados positivos em nenhum dos trimestres seguintes.
Do total de perdas em 2025, R$ 6,4 bilhões correspondem a despesas com precatórios relacionados a decisões judiciais com trânsito em julgado. As demonstrações financeiras divulgadas pela empresa apontam esse item como principal responsável pelo crescimento expressivo nos gastos da estatal.
No primeiro semestre de 2025, o déficit acumulado havia sido de R$ 4,36 bilhões.
Receita bruta cai 11,35%
A receita bruta da estatal no ano passado totalizou R$ 17,3 bilhões. O valor representa queda de 11,35% em relação ao registrado em 2024. A situação financeira afeta a estatal federal responsável pelos serviços postais no Brasil. Entre 3 de fevereiro e 7 de abril, 3.181 empregados da empresa aderiram ao programa de desligamento voluntário.
A estatal implementou o Plano de Demissão Voluntária como parte das medidas para reduzir despesas com pessoal. O mecanismo permite que o trabalhador deixe a empresa de forma voluntária mediante recebimento de indenizações e benefícios estabelecidos em regulamento. “O PDV que abrimos este ano teve uma duração menor que o outro, que durou o ano todo e atingiu a mesma quantidade de funcionários”, afirmou Emmanoel Schmidt Rondon, presidente dos Correios.
Considerando os programas de desligamento voluntário de 2024 e 2025, a empresa contabiliza 3.756 adesões de empregados. A economia estimada com essas medidas é de R$ 147,1 milhões em 2026. A projeção para 2027 é de R$ 775,7 milhões.
No programa mais recente, a empresa estima redução de gastos de aproximadamente 40% com a adesão dos 3.181 funcionários.
Empréstimo de R$ 12 bilhões
Nos dias finais de 2025, a estatal fechou contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões. O desembolso dos recursos ocorreu quase integralmente em 30 de dezembro. A entrada desses valores teve impacto limitado no resultado financeiro de 2025. O objetivo do aporte é cobrir parte dos gastos elevados que a empresa vem apresentando.
A formalização do contrato foi publicada em 27 de dezembro no Diário Oficial da União. A operação envolve consórcio formado pelos bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O acordo possui vigência até 2040. Conta com garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro. O governo federal oferece respaldo à operação, reduzindo o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito.
Com a garantia do Tesouro, o governo federal assume a responsabilidade de honrar as parcelas do pagamento caso os Correios fiquem inadimplentes.
O contrato estabelece prazo de carência de 3 anos. Os pagamentos mensais iniciam em dezembro de 2029. A taxa de juros foi definida em 115% do CDI, ficando abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro.
Autorização para novo empréstimo
O Conselho Monetário Nacional autorizou os Correios a buscarem um novo empréstimo de R$ 8 bilhões com garantias do governo federal. A decisão foi tomada em 26 de fevereiro.
Esta operação se soma aos R$ 12 bilhões já contratados pela empresa estatal junto a instituições financeiras privadas. Somado aos R$ 12 bilhões já contratados, os Correios terão acesso a R$ 20 bilhões em crédito com garantias da União.
A autorização visa dar mais fôlego financeiro aos Correios. A garantia da União reduz o risco para as instituições financeiras que concedem o crédito.
Ainda não há definição sobre quando o novo empréstimo de R$ 8 bilhões será efetivamente contratado. Segundo pessoas que participam das discussões, a definição só deve ocorrer no fim do primeiro semestre. Não há data específica confirmada.
Os Correios deverão negociar as condições do novo empréstimo de R$ 8 bilhões com instituições financeiras. A expectativa é que a definição ocorra até o fim do primeiro semestre.




