Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF em derrota histórica de Lula

Rejeição obriga Lula a indicar um novo nome para o Supremo

Por Redação TMC | Atualizado em
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião para sabatinar indicados ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Defensoria Pública da União (DPU), e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mesa: indicado para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (MSF 7/2026), Jorge Rodrigo Araújo Messias. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29/04) a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado-geral da União teve 34 votos, aquém dos 41 necessários no plenário, encerrando o processo de nomeação e obrigando o governo a indicar um novo nome para a Corte.

A decisão ocorre após a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa em que o indicado havia sido aprovado, mas com placar apertado. A votação no plenário confirmou a divisão política em torno do nome de Messias, com resistência significativa de parlamentares da oposição e de parte do centro.

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Trajetória e perfil

Natural de Recife (PE), Jorge Rodrigo Araújo Messias, de 45 anos, é procurador da Fazenda Nacional desde 2007. Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre pela Universidade de Brasília (UnB), construiu carreira no serviço público e ocupava o comando da Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2023.

Durante sua gestão, ganhou protagonismo na defesa jurídica de pautas estratégicas do governo federal, atuando em disputas no Supremo e em temas como regulação de plataformas digitais e questões fiscais.

Resistência no Senado

Apesar da articulação do Palácio do Planalto, o nome de Messias enfrentou críticas relacionadas à proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de questionamentos sobre posicionamentos em temas sensíveis.

Parlamentares contrários à indicação apontaram possível alinhamento ideológico com o governo e defenderam a escolha de um perfil considerado mais independente para a Corte.

O resultado no plenário evidenciou a dificuldade do governo em consolidar uma base ampla o suficiente para garantir a aprovação, especialmente diante de um ambiente político polarizado.

Sabatina e posicionamentos

Na sabatina da CCJ, Messias adotou tom técnico e buscou reforçar compromissos institucionais. Defendeu a independência entre os Poderes, a segurança jurídica e uma atuação mais contida do STF em políticas públicas.

Ele também classificou os atos de 8 de janeiro de 2023 como “tristes” e destacou a importância da atuação das instituições na preservação da democracia.

Próximos passos

Com a rejeição, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um novo nome para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. O escolhido deverá passar novamente por sabatina na CCJ e votação no plenário do Senado.

A derrota representa um revés político para o governo, que terá de recalibrar a articulação no Congresso para viabilizar a aprovação do próximo indicado ao STF.

Leia mais: Caetano agradece Otto Alencar por corrigir Bittar durante sabatina de Jorge Messias

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