Israel prorroga por 2 dias prisão de brasileiro e espanhol-palestino da flotilha humanitária

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram detidos após interceptação de flotilha humanitária em águas internacionais e são acusados de vínculos com organização sancionada

Por Redação TMC | Atualizado em
O ativista Thiago Avila, membro da Flotilha Global Sumud detido por Israel, comparece a uma audiência de prorrogação de sua detenção em um tribunal em Ashkelon, no sul de Israel (FOTO: Amir Cohen/Reuters)
O ativista Thiago Avila, membro da Flotilha Global Sumud detido por Israel, comparece a uma audiência de prorrogação de sua detenção em um tribunal em Ashkelon, no sul de Israel (FOTO: Amir Cohen/Reuters)

A Justiça de Israel estendeu por dois dias a prisão preventiva do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek. Os dois faziam parte de uma flotilha humanitária interceptada por forças israelenses. Eles são os únicos mantidos em Israel entre cerca de 175 ativistas detidos na operação.

A decisão foi tomada por um tribunal em Ashkelon, localizado a aproximadamente 60 quilômetros de Tel Aviv, onde os ativistas foram submetidos a interrogatório. A organização de direitos humanos Adalah informou à AFP que o prazo concedido foi inferior aos quatro dias solicitados pelas autoridades israelenses.

“O Estado solicitou a prorrogação da detenção por mais quatro dias”, disse Miriam Azem, coordenadora de defesa internacional do grupo. Ávila e Abu Keshek foram transferidos para território israelense para interrogatório.

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Acusações e justificativas para a detenção

O Ministério das Relações Exteriores de Israel alega que os dois ativistas mantêm vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA). O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou esta organização. Washington acusa a PCPA de “agir clandestinamente em nome” do Hamas, grupo militante palestino.

As autoridades israelenses afirmam que Abu Keshek é um membro proeminente da PCPA. Ávila possui ligações com a organização e é “suspeito de atividades ilegais”, segundo o governo israelense.

As forças israelenses interceptaram a flotilha em águas internacionais, na costa da Grécia, durante a madrugada de quinta-feira (30/05). Mais de 50 embarcações haviam partido da França, Espanha e Itália. A missão tinha como objetivo romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar suprimentos ao território palestino, sob ataque há mais de dois anos.

Os organizadores da flotilha afirmam que a interceptação ocorreu a mais de 1.000 quilômetros de Gaza. Eles classificam a ação como “armadilha mortal calculada no mar” e denunciam que seus equipamentos foram destruídos, deixando-os diante de uma situação extremamente perigosa.

A Adalah informou no sábado (02/05) que seus advogados se reuniram com os ativistas detidos na prisão de Shikma. Um dos líderes da Flotilha para Gaza, Ávila relatou aos advogados que sofreu “extrema brutalidade” quando os barcos foram interceptados.

Ávila relatou que, desde que chegou a Israel, estava “isolado e com os olhos vendados”, de acordo com a Adalah. Abu Keshek também foi “amarrado e teve os olhos vendados”. Ele foi “obrigado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento de sua prisão” até chegar a Israel, informou o grupo. As informações foram confirmadas pelo jornal britânico The Guardian.

Em 2025, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud (“resiliência” em árabe) para Gaza atraiu a atenção do mundo todo. Centenas de ativistas, incluindo Greta Thunberg e Thiago Ávila, foram presos no mar. Eles foram levados para Israel e depois deportados. Na ocasião, os ativistas também relataram terem sofrido agressões por parte das forças de ocupação.

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