O que se sabe sobre vírus que matou 3 em navio no Oceano Atlântico

Seis passageiros do navio MV Hondius foram afetados durante travessia pelo Atlântico; um caso foi confirmado e cinco seguem sob investigação pela organização

Por Redação TMC | Atualizado em
Imagem microscópica do hantavírus
Amostra de linfonodo extraída de um paciente com suspeita de doença causada pelo hantavírus. (Foto: Centers for Disease Control and Prevention via Reuters)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou três mortes relacionadas a um possível surto de hantavírus em um navio de cruzeiro, no domingo (03/05). A embarcação MV Hondius realizava travessia da Argentina para Cabo Verde quando as fatalidades ocorreram. Um caso da doença foi confirmado e outros cinco permanecem sob investigação.

As vítimas eram passageiros do navio de cruzeiro. Ao todo, seis pessoas foram afetadas pelo possível surto durante a viagem pelo Atlântico. A OMS informou à BBC que “investigações detalhadas” sobre os casos suspeitos estão “em andamento, incluindo mais testes laboratoriais”. Os resultados dos exames dos cinco casos suspeitos ainda não foram divulgados.

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O hantavírus é transmitido por roedores. A contaminação humana acontece principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas dos animais. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) explicam que as infecções geralmente ocorrem quando o vírus é transportado pelo ar a partir da urina, fezes ou saliva de um roedor. A transmissão também pode acontecer por meio de mordidas ou arranhões de roedores, embora seja mais raro.

Doenças causadas pelo vírus

O vírus pode causar duas doenças graves. A primeira é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS). Geralmente começa com fadiga, febre e dores musculares. Os sintomas evoluem para dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. No Brasil, se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), segundo o Ministério da Saúde.

A pasta informa que nas Américas a hantavirose se manifesta sob diferentes formas. Pode variar desde doença febril aguda inespecífica até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos. A doença pode evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).

A segunda doença mais comum no mundo causada pelo hantavírus é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS). Ela é mais grave e afeta principalmente os rins. Os sintomas posteriores podem incluir pressão arterial baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda.

O vírus Seoul é uma das principais cepas de hantavírus transmitidas por ratos-noruegueses, também conhecidos como ratos marrons. É encontrado em todo o mundo, inclusive nos EUA.

Taxa de mortalidade e casos registrados

A taxa de mortalidade da Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS) é de aproximadamente 38% quando os sintomas respiratórios se desenvolvem, segundo o CDC. Relatório dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) estima que ocorram 150 mil casos de Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS) em todo o mundo a cada ano. A maioria dos casos ocorre principalmente na Europa e na Ásia. Mais da metade dos casos geralmente ocorre na China.

Nos Estados Unidos, houve 890 casos no país entre 1993 e 2023. A vigilância do hantavírus começou em 1993. No Brasil, foram confirmados 2.377 casos de hantavirose entre 1993 e 2024. Do total de casos, 937 provocaram mortes no período, segundo o Ministério da Saúde. A pasta informa que 70% dos pacientes no Brasil foram infectados em zonas rurais.

Leia mais: OMS diz que risco para população é baixo após suspeita de surto de hantavírus em navio

Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. O CDC recomenda cuidados para tratar os sintomas. Eles podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise. Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.

O CDC recomenda eliminar o contato com roedores em residências ou locais de trabalho para reduzir a exposição ao vírus. A agência também recomenda vedar os pontos de entrada em porões ou sótãos por onde os roedores possam entrar nas casas. O uso de equipamentos de proteção individual também é sugerido ao limpar fezes de roedores para evitar a inalação de ar contaminado.

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