Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Desenrola 2.0 amplia renegociação com uso do FGTS

Programa prevê descontos elevados, juros limitados e parcelamento em até quatro anos

Por Bruno Rizzi | Atualizado em
(FOTO: Towfiqu barbhuiya/Unsplash)

O governo federal colocou em vigor o Desenrola 2.0, uma nova etapa da política de renegociação de dívidas que busca ampliar o alcance e tornar mais efetivas as condições oferecidas às famílias endividadas.

A medida provisória já está válida e a expectativa da equipe econômica é atingir até R$ 58 bilhões em débitos, com foco em consumidores de menor renda e em dívidas ligadas ao crédito cotidiano, como cartão, cheque especial e empréstimos pessoais.

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A proposta foi desenhada para corrigir limitações de iniciativas anteriores e ampliar o impacto no curto prazo. O programa estabelece juros limitados a 1,99% ao mês, prevê descontos que podem chegar a até 90% – com média estimada em torno de 65% – e permite o parcelamento das dívidas em até quatro anos.

Um dos principais diferenciais é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do FGTS para abater o valor renegociado, mecanismo que foi alvo de intensas discussões dentro da equipe econômica nas últimas semanas.

O uso do FGTS, no entanto, é restrito ao pagamento das dívidas renegociadas, sem possibilidade de saque livre com essa justificativa, o que busca garantir a finalidade do recurso. Além disso, o governo pretende reduzir o risco das operações para os bancos por meio de fundos garantidores, viabilizando condições mais acessíveis de crédito.

Como contrapartida, as instituições financeiras deverão retirar a negativação de dívidas de até R$ 100 – ainda que o débito continue existindo – e os participantes do programa ficarão impedidos de realizar apostas por um período de um ano.

O público-alvo inclui pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em atraso há mais de 90 dias. O alcance estimado é de até 20 milhões de brasileiros apenas na frente voltada às famílias, em um cenário em que o endividamento já se aproxima de metade da renda anual, segundo dados do Banco Central.

Apesar de a medida já estar em vigor, a implementação prática ainda depende da operacionalização pelos bancos. As instituições financeiras afirmam que estão ajustando sistemas e aguardando definições técnicas para iniciar a oferta das propostas, o que deve ocorrer de forma gradual nas próximas semanas.

Do ponto de vista político, o Desenrola 2.0 se consolida como uma das principais apostas do governo para dialogar com as classes de menor renda, mais impactadas pelo endividamento. O desenho mais robusto, dividido em diferentes frentes – famílias, FIES, setor rural e empresas – busca gerar resultados perceptíveis no curto prazo.

Ainda assim, há o reconhecimento dentro do próprio governo de que a medida tem alcance limitado diante do caráter estrutural do problema, funcionando mais como instrumento de reorganização financeira e melhora de ambiente político do que como solução definitiva de longo prazo.

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