O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou na noite de terça-feira (26/05) que vai apoiar o fim da escala 6×1 — mas com uma manobra que pode complicar o governo Lula. A sigla pretende pedir a votação do texto da deputada Erika Hilton (Psol-SP) antes da proposta enviada pelo Executivo.
A diferença entre os dois textos é central para entender o movimento. A proposta de Hilton prevê jornada de 4 dias de trabalho por 3 de folga, com limite de 36 horas semanais. Já o texto do governo estabelece escala 5×2, com 40 horas semanais e transição completa em 14 meses.
A manobra e o que ela significa
O mecanismo usado pelo PL se chama destaque de preferência — um recurso regimental que permite colocar uma proposta alternativa em votação antes da principal. Se aprovado, o texto de Hilton seria votado primeiro, e o governo teria de se posicionar publicamente contra a opção mais favorável ao trabalhador.
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, anunciou a estratégia. Segundo ele, na hora da votação em plenário, o PL apresentará o destaque de preferência para votar a escala 4 por 3, porque o partido é a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa e descansar com a família.
Parlamentares bolsonaristas admitiram que o objetivo é colocar o governo em posição delicada. A lógica é simples: se o PT votar contra o texto de Hilton, fica associado a uma proposta menos generosa para os trabalhadores.
Governo trabalha com cenário de tumulto
Fontes do Palácio do Planalto afirmaram que o governo trabalha com a possibilidade de tumulto na votação. A votação na Comissão Especial está prevista para quarta-feira (27/05). O plenário da Câmara dos Deputados deve votar na quarta ou na quinta-feira (28/05).
Parlamentares governistas avaliam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não deve permitir que a manobra do PL prospere. O texto do governo prevê que a vigência começaria após um ano da promulgação, com a transição completa concluída em 14 meses.
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