NYT perde correspondente na China após expulsão por Pequim

Vivian Wang foi retirada da China em fevereiro; redação americana agora opera com apenas um jornalista baseado no país

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Líderes dos EUA e China
(Foto: Evelyn Hockstein/Reuters)

A repórter Vivian Wang, do New York Times (NYT), foi expulsa da China em fevereiro. A saída deixou o jornal com apenas um correspondente fixo no país — número muito abaixo do pico histórico, que chegou a pouco mais de dez profissionais.

A expulsão ocorreu após coberturas de Wang sobre censura, a pandemia de Covid-19 e o aparato de segurança do Estado chinês. Segundo o NYT, a jornalista estava baseada na China desde 2020. Ela passou dois anos em Hong Kong antes de se transferir para Pequim, em 2022.

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Retaliação cruzada

O governo chinês afirmou que a medida foi uma resposta à participação do presidente de Taiwan em um evento DealBook, promovido pelo NYT em dezembro. Em contrapartida, os Estados Unidos revogaram o visto de um jornalista da Xinhua, agência de notícias estatal da China.

O editor-executivo do NYT, Joseph Kahn, classificou a decisão de Pequim como errada. Segundo Kahn, a saída de Wang vai dificultar a cobertura independente da segunda maior economia do mundo. Ele também descreveu a jornalista como uma das mais respeitadas na cobertura da China e afirmou que a expulsão seguiu uma campanha de assédio motivada por reportagens precisas e equilibradas.

Editores do jornal pressionaram o regime chinês por semanas para que Wang pudesse retornar ao posto. Pequim concedeu um visto de sete dias a ela e a outros jornalistas do NYT para acompanhar a visita do presidente Donald Trump ao país neste mês. Ainda assim, a China recusou permitir que Wang retomasse a função de correspondente fixa. Nesta semana, ela recebeu autorização para voltar com um visto de curto prazo, sem credencial jornalística, apenas para recolher seus pertences em Pequim.

Acesso cada vez mais restrito

O caso Wang reflete um padrão mais amplo de restrições à imprensa estrangeira na China. Estima-se que pouco mais de 20 jornalistas de veículos americanos estejam atualmente baseados no país. O Washington Post, por exemplo, não mantém correspondente fixo na China há vários anos.

Do lado americano, as restrições também avançaram. O número de jornalistas chineses atuando nos EUA caiu de 160 para cerca de cem, após medidas adotadas pelo governo. Em setembro de 2018, o Departamento de Justiça determinou que as filiais americanas da Xinhua e da China Global Television Network (CGTN) se registrassem como agentes estrangeiros. Mais tarde, o governo Trump enquadrou cinco organizações de mídia estatal chinesas sob regras similares às aplicadas a diplomatas estrangeiros e fixou em cem o limite de jornalistas autorizados a trabalhar para esses veículos nos EUA.

Em fevereiro de 2020, três repórteres do Wall Street Journal foram expulsos da China após a publicação de um artigo de opinião considerado ofensivo por Pequim. O Ministério das Relações Exteriores da China passou a adotar, desde então, uma postura mais favorável à concessão de vistos de curto prazo a repórteres estrangeiros — mas sem garantir credenciamento permanente.

Wang integrou a equipe do NYT que recebeu o Prêmio Pulitzer de serviço público em 2021 pela cobertura da pandemia de coronavírus.

Leia mais: PCC e Comando Vermelho entram em lista de sanções dos EUA após classificação como grupos terroristas

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