As chances de um novo El Niño se formar em 2026 são altas. A NOAA (agência climática dos Estados Unidos) calcula 82% de probabilidade de o fenômeno aparecer entre maio e julho. A mesma agência estima 96% de chance de ele seguir ativo no fim de 2026 e no início de 2027.
O que ainda não se sabe é a intensidade. Nenhuma categoria — fraco, moderado ou forte — aparece com probabilidade dominante nas projeções disponíveis até agora. Na prática, as variações climáticas poderão afetar diretamente o dia a dia do brasileiro.
“O El Niño se traduz pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, aquecimento atípico da superfície do mar. É um fenômeno oceânico que depois se propaga para a parte atmosférica. Quando tem essa anomalia nos oceanos e começa a perturbar a atmosfera, podemos dizer que o El Niño estaria consolidado. Ainda não é o caso”, explica Fábio Rocha, meteorologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em entrevista à TMC.
“A previsão é de se estabelecer ao longo dos próximos meses. Mas ainda não está estabelecido.”
O especialista explica que o uso da expressão “Super El Niño” não tem base científica. “O termo ‘Super El Niño’ ainda não dá para falar. Fala-se muito na mídia de forma equivocada, porque não temos ainda a certeza da intensidade deste fenômeno. A tendência é de que fique de moderado evoluindo para intensidade forte.”
As projeções devem ficar mais precisas entre junho e agosto. Alguns centros meteorológicos europeus já apontam aquecimento acima de 3°C em certas simulações para 2026-2027, mas esse número ainda não representa consenso.
Chuvas, temperaturas e ventos são afetados em regiões distantes. O fenômeno existe há milhares de anos. Os episódios mais marcantes da história recente ocorreram em 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
Como o fenômeno pode afetar o dia a dia
O El Niño traz efeitos diferentes para as regiões do Brasil, com previsões das mais variadas. “Normalmente em anos de El Niño a chuva não tem boa previsibilidade para a região Sudeste. Já teve El Niño com chuvas acima e abaixo da média. Não temos certeza deste impacto no Sudeste”, esclarece Fábio Rocha.
“Os sinais claros de El Niño são para o Sul do Brasil, com chuvas acima da média. Pode vir a pegar parte do Estado de São Paulo, parte do Sul do Mato Grosso do Sul. Por outro lado, pode haver um déficit de chuva na região Norte e Nordeste do Brasil”, complementa o especialista.
De forma geral, o fenômeno causa calor fora de época em quase todas as regiões do país. “Há uma tendência de temperaturas. Normalmente, deixa as temperaturas mais altas em praticamente todo o Brasil, o que pode se traduzir na forma de ondas de calor mais intensas e periodicidade mais longa.
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