Israel bombardeou posições militares no Irã na manhã desta segunda-feira (08/06), no horário local, segundo confirmação das próprias Forças Armadas israelenses em redes sociais.
A ação ocorre horas depois de Donald Trump ter ligado para o premiê Benjamin Netanyahu pedindo contenção, e representa a segunda vez em menos de 24 horas que Israel age em sentido contrário ao desejado pelo presidente dos EUA.
A Força Aérea Israelense afirmou: “A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã há pouco”. O comunicado não detalhou o número de alvos atingidos.
O episódio tem raízes na semana anterior. Trump havia tentado costurar um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, grupo armado libanês. Israel violou o acordo ao bombardear Beirute. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã disparou uma série de mísseis contra território israelense no domingo (07/06). Não houve registros de feridos.
Imagens de interceptações pelo sistema Domo de Ferro circularam em redes sociais logo após o ataque iraniano. Netanyahu então declarou que revidaria — mesmo com Trump se manifestando contra o revide.
Segundo o Financial Times, Trump afirmou a Netanyahu que ele não tinha opção a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã. Ao Axios, o presidente americano disse: “Estamos próximos de um acordo [de paz] final com o Irã, eu não quero estragar tudo por causa do que está acontecendo agora”.
Reação iraniana e fechamento de espaços aéreos
Após os bombardeios israelenses desta segunda, Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, publicou em redes sociais que 19 bases norte-americanas no Oriente Médio voltaram a ser alvos legítimos. A declaração eleva o risco de um conflito mais amplo na região.
O Iraque anunciou a suspensão dos serviços de navegação aérea. O bloqueio vale por 72 horas. O Irã adotou medida semelhante, fechando seu próprio espaço aéreo. Países vizinhos como Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Egito e Paquistão estão no entorno direto da zona de tensão.
Em publicação em suas redes sociais, Qalibaf declarou: “Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder”.
Trump e Netanyahu em rota de colisão
A relação entre os dois líderes chegou a um ponto de atrito aberto. Trump chegou a chamar Netanyahu de completamente louco, em referência aos ataques israelenses no Líbano. O cessar-fogo que havia sido estabelecido em abril na região foi progressivamente esvaziado pelas ações de Israel.
Na prática, a sequência de eventos coloca Washington em posição delicada: Trump negocia um acordo com Teerã ao mesmo tempo em que seu principal aliado regional bombardeia o território iraniano.




