O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (08/06) a suspensão do uso da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão veio após o registro de duas mortes suspeitas ligadas ao imunizante. O comunicado foi feito em coletiva com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o diretor do Butantan.
Até a paralisação, 500 mil doses já haviam sido administradas no país. Além das duas mortes investigadas, o Ministério da Saúde contabilizou 42 casos de reações severas possivelmente associadas à vacina durante a campanha.
O imunizante do Butantan tem dois marcos históricos: é o primeiro do mundo aplicado em dose única contra a dengue e o primeiro totalmente desenvolvido no Brasil. A vacinação teve início no começo deste ano.
Em São Paulo, a campanha arrancou em 6 de fevereiro, voltada inicialmente a 216 mil profissionais da atenção básica. Em maio, o governo paulista ampliou o público-alvo para a população em geral, começando por pessoas a partir de 59 anos.
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Investigação em andamento
As causas das duas mortes ainda não foram confirmadas como decorrentes da vacina. A suspensão ocorre enquanto as autoridades sanitárias apuram a relação entre os óbitos e o imunizante.
O governo de São Paulo havia antecipado a entrega de 1,3 milhão de doses antes da paralisação ser decretada. O Instituto Butantan não havia se pronunciado até o momento da publicação desta matéria.
Nota Butantan
O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.




