Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela construiu uma trajetória marcada por forte polarização, derrotas eleitorais apertadas, investigações judiciais e uma base fiel de apoiadores.
Ao longo de mais de duas décadas de vida pública, Keiko consolidou sua liderança no partido Força Popular e se tornou a principal representante do chamado “fujimorismo”, corrente política inspirada no legado de seu pai. Ao mesmo tempo, também passou a enfrentar críticas de setores que associam esse movimento às violações de direitos humanos e aos casos de corrupção registrados durante o governo de Alberto Fujimori.
Quem é Keiko Fujimori?
Keiko Sofía Fujimori Higuchi nasceu em 25 de maio de 1975, em Lima, capital do Peru. É filha de Alberto Fujimori, presidente do país entre 1990 e 2000, e de Susana Higuchi.
Sua entrada na vida pública aconteceu muito cedo. Em 1994, quando tinha apenas 19 anos, assumiu o posto de primeira-dama após a separação de seus pais. Na época, Alberto Fujimori ainda comandava o país e Keiko passou a representar oficialmente o governo em diversos compromissos nacionais e internacionais.
Posteriormente, estudou Administração de Empresas nos Estados Unidos e retornou ao Peru para iniciar uma carreira política própria, desvinculando gradualmente sua imagem da função exercida na juventude.
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Como começou sua carreira política?
O primeiro grande cargo eletivo de Keiko Fujimori veio em 2006, quando foi eleita congressista pelo Peru. Na ocasião, foi uma das parlamentares mais votadas do país.
Poucos anos depois, decidiu disputar a Presidência pela primeira vez. Em 2011, chegou ao segundo turno, mas acabou derrotada por Ollanta Humala.
A partir daí, tornou-se presença constante nas eleições presidenciais peruanas.
As quatro candidaturas presidenciais
A trajetória eleitoral de Keiko Fujimori foi marcada por disputas extremamente apertadas.
- 2011: perdeu para Ollanta Humala no segundo turno
- 2016: foi derrotada por Pedro Pablo Kuczynski por uma diferença inferior a 50 mil votos
- 2021: voltou ao segundo turno e perdeu para Pedro Castillo por uma margem igualmente reduzida, contestando o resultado e alegando fraude sem apresentar provas aceitas pela Justiça eleitoral
- 2026: lidera a disputa à Presidência em uma das eleições mais equilibradas da história recente do Peru
Sua persistência transformou Keiko em uma das figuras políticas mais resilientes da América Latina contemporânea.
A relação com Alberto Fujimori
É praticamente impossível compreender a trajetória de Keiko Fujimori sem analisar o legado de seu pai.
Alberto Fujimori governou o Peru entre 1990 e 2000. Seu governo é lembrado por controlar a hiperinflação, combater grupos guerrilheiros e promover reformas econômicas importantes. Ao mesmo tempo, também ficou marcado por denúncias de autoritarismo, fechamento do Congresso, violações de direitos humanos e corrupção.
Após deixar o poder, Alberto Fujimori foi condenado pela Justiça peruana por crimes relacionados a abusos de direitos humanos e corrupção.
Keiko sempre defendeu diversos aspectos do governo do pai e buscou preservar seu legado político, o que fortaleceu sua base eleitoral, mas também ampliou a rejeição entre parte do eleitorado peruano.
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Investigações e problemas com a Justiça
Além das disputas eleitorais, Keiko Fujimori também enfrentou investigações relacionadas ao financiamento de campanhas eleitorais.
Ela foi acusada pelo Ministério Público de suposto recebimento irregular de recursos ligados ao escândalo da construtora Odebrecht. Em diferentes momentos chegou a cumprir prisão preventiva enquanto as investigações eram conduzidas.
No entanto, antes das eleições de 2026, o Tribunal Constitucional peruano anulou o processo que respondia por lavagem de dinheiro, permitindo que ela disputasse novamente a Presidência sem essa ação em andamento.
Apesar do desfecho jurídico, o tema continua sendo frequentemente citado por seus opositores.
Quais são as propostas de Keiko Fujimori?
Durante a campanha de 2026, Keiko concentrou seu discurso em três pilares principais:
- combate ao avanço da criminalidade;
- fortalecimento da economia e atração de investimentos;
- maior estabilidade institucional para reduzir a crise política enfrentada pelo Peru.
Sua campanha também buscou recuperar parte do discurso de segurança pública associado ao governo de Alberto Fujimori, argumento que encontrou respaldo entre eleitores preocupados com o crescimento da violência no país.




